Entrevista: coordenador nacional do JPS fala sobre experiência no 8º Fórum Mundial da Água

Entre os dias 18 e 23 de março, Brasília, no Distrito Federal, sediou o 8º Fórum Mundial da Água. Realizado pela primeira vez no Hemisfério Sul, o evento recebeu um público de aproximadamente 120 mil pessoas e se consagrou como a maior edição de sua história. O tecnólogo Álvaro Diogo Teixeira, coordenador nacional do programa Jovens Profissionais do Saneamento da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES, participou ativamente do encontro.

Álvaro, que é tecnólogo, conta como foi essa experiência e destaca as inovações e novas aplicações de tecnologias para o setor de saneamento apresentadas no evento, além do significado da participação dos tecnólogos nas discussões.

O Fórum Jovem emitiu declaração com recomendações para a gestão da água. Acesse aqui.

Leia a entrevista a seguir:

ABES notícias – Poderia comentar sobre a experiência da realização do 8º Fórum Mundial da Água no Brasil?

Álvaro Diogo Teixeira– A realização do 8º Fórum Mundial da Água no Brasil é muito representativa. É a primeira vez que o evento é realizado no Hemisfério Sul e o Brasil, país com maior reserva de água doce do mundo, foi o escolhido para ser sede desse importante evento, o que reforça ainda mais o protagonismo do país nas questões relacionadas à água. Participar de um evento como este foi uma oportunidade única. Pude aprender muita coisa nova, mas principalmente conhecer pessoas do mundo todo com objetivos e anseios em comum que me inspiraram e motivaram ainda mais a continuar atuando na área do saneamento aqui no Brasil.

ABES notícias – Qual é a importância dos temas abordados no evento para a área de tecnologia?

Álvaro Diogo Teixeira- A inovação tecnológica e novas aplicações tiveram espaço em todos os temas discutidos no fórum desde a questão de tratamento de esgoto em áreas urbanas ou tratamento de água em comunidades isoladas até ferramentas para melhoria da gestão financeira de contratos ou para monitoramento de alterações climáticas. Oportunidades não faltam para atuar no desenvolvimento e aprimoramento de tecnologias.

ABES notícias – Como você vê a participação de tecnólogos na discussão?

Álvaro Diogo Teixeira- Emendando na resposta anterior, os tecnólogos possuem papel importante nesse processo de desenvolvimento e aprimoramento de tecnologias. Não só tecnólogos do saneamento ou da hidráulica, mas também há oportunidades de atuar no desenvolvimento de todos os temas para diversas áreas de atuação como tecnólogos em mecânica, elétrica, civil, inclusive da área da saúde, que é tema tão ligado ao saneamento e que por muitas vezes é visto de forma separada.

ABES notícias – Poderia destacar o que de mais inovador você viu durante o evento?

Álvaro Diogo Teixeira – Diversos painéis abordaram tecnologias para tratamento de água e esgoto ou para suporte à gestão, como ferramentas de geoprocessamento. Porém as discussões que merecem mais destaque não são do ponto de vista de criação de novas tecnologias, pois há tempos elas vêm sendo desenvolvidas. O desafio vem sendo aplicá-las. Portanto, as discussões mais interessantes pautavam inovações do ponto de vista de aplicação destas tecnologias. Além das discussões no fórum, houve também exposição de tecnologias nos pavilhões dos países e ainda na Vila Cidadã, espaço com entrada gratuita onde tecnologias sociais também tinham seu espaço garantido.

ABES notícias –  Que experiências internacionais podem servir para o cenário brasileiro? E quais aprendizados, na sua visão, os tecnólogos de outros países levaram do Brasil?

Álvaro Diogo Teixeira – Foquei minha atenção nos painéis voltados para reúso e vi como alguns países já possuem muita solução aplicada e performando corretamente. Podemos citar a Califórnia, no Estados Unidos, ou países como Coreia do Sul, China, Japão, Alemanha, Austrália e Dinamarca. Aqui no Brasil ainda estamos no começo destas aplicações e há muito mais vontade de realizar do que ações já realizadas. Porém, em outras disciplinas como saneamento em favelas, painel coordenado pela ABES, temos alguns casos de sucesso, como o Cantinho do Céu, às margens da represa Guarapiranga, que com certeza servirá de inspiração para outros países.

ABES notícias – Na sua opinião, qual é a maior contribuição do Fórum para os tecnólogos e questões da área?

Álvaro Diogo Teixeira – Os documentos apresentados no encerramento do evento trazem grandes desafios a serem trabalhados nos próximos três anos, antes do 9º Fórum Mundial da Água, que será realizado em Dakar, no Senegal. Nestes, há muito em que os tecnólogos possam atuar, sejam os profissionais vinculados a governos, empresas prestadoras de serviços de saneamento, iniciativa privada, autônomos entre outros, para que estes compromissos sejam atingidos, contribuindo para o objetivo 6 dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS da ONU, que preconiza assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todas e todos até 2030.

Veja (aqui) a entrevista que Álvaro concedeu à TV Brasil sobre o encerramento do encontro.

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