IX Seminário Nacional e IV Encontro Latino-Americano de Saneamento Rural: tema no Brasil é excluído pelos governantes, afirma especialista

Eventos acontecerão em Quixadá, no Ceará, de 23 a 25 de maio, simultaneamente com o “IX Seminário de Gestão dos Sisars e Centrais 

Por Suely Melo

“Trabalhamos com muita dedicação, organização e amor à causa para que os estados brasileiros e os municípios percebam que não adianta avançar somente no saneamento básico urbano. Temos que evoluir no rural para melhorar a qualidade de vida da população como um todo”. Quem afirma é Helder Cortez, coordenador (adjunto) da Câmara Temática de Saneamento Rural da ABES e diretor da Companhia de Água e Esgoto do Ceará – CAGECE.

A questão, que segundo ele, “é excluído pelos nossos governantes”, estará em pauta, de 23 e 25 de maio, em Quixadá/CE, no “IX Seminário Nacional” e o “IV Encontro Latino-Americano de Saneamento Rural”.

Abordando o tema “Água, Saneamento e Saúde”, os eventos serão realizados simultaneamente com o “IX Seminário de Gestão dos Sisars e Centrais no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará – IFCE e contarão com a participação de palestrantes nacionais e internacionais. As inscrições poderão ser feitas aqui.

Os encontros, de acordo com Helder são uma oportunidade de atualizar sobre o que está acontecendo no Nordeste, no Brasil e na América Latina nessa área.

Helder Cortez

O especialista reforça que a da CT Saneamento Rural da ABES, coordenada por Mônica Bicalho Pinto Rodrigues, tem feito, ao longo desses últimos anos, um grande movimento para chamar a atenção e provocar os gestores públicos. “Eles precisam investir e compreender a repercussão que o saneamento rural poderá ter na qualidade de vida das pessoas e na melhoria dos indicadores de seus municípios, estados e do país”, enfatiza. “Não adianta chegar a 100% de abastecimento de água na zona urbana e 20%, 15% na zona rural”.

A expectativa, de acordo com Helder, é que participem dos eventos representantes de quase todos os estados brasileiros que tenham alguma ação na área de saneamento rural, além de técnicos especialistas no tema vindo da América Latina. “Eles irão nos presentear com as informações atualizadas.”

Em relação à questão financeira do evento, Helder destaca a ajuda do Banco Mundial, da Cooperação Suíça e da Fundação Avina, que financia a vinda de palestrantes de outros países. “Isso enriquece e viabiliza a realização de um evento tão importante para o setor de saneamento rural”, frisa.

Sistema Integrado de Saneamento Rural – Sisar

O modelo de gestão associativo Sisar – ONGs independentes – tem uma participação maior no Nordeste, de acordo com Helder Cortez.  Hoje, a população do Ceará é de 8,8 milhões de habitantes, sendo que 2,2 milhões estão na zona rural. Destes, 25% ou cerca de 600 mil cearenses, já usufrui do sistema de abastecimento de água gerenciado pelos Sisars. São oito no Ceará, dois na Bahia e um no Piauí. “Isso tem feito a diferença no nosso estado e municípios, que apoiam integralmente o projeto”, ressalta Helder. Piauí e Bahia estão resistindo ao longo do tempo porque não absorveram tão bem o modelo”, observa.

O sistema Sisars, que é um modelo autossustentável e não precisa do governo para suas ações e manutenção, conforme explica Helder, não funciona apenas como um gerenciador de água. “Ele dá oportunidade à comunidade rural de se desenvolver. Desenvolver o lado de educação social, ambiental e empreendedorismo, fazendo com que as comunidades gerenciem, pro exemplo, o trator para melhorar a produção agrícola, a cultura da produção de mel, ou se organizem para realizar ações voltadas para a produção de farinha”, elencou.

Ainda segundo Helder, o modelo de gestão fez com que membros das comunidades em vez de solicitar aos políticos uma ação individual, passassem a pedir melhorias que beneficiam o coletivo. “Esse é um dos diferenciais que a comunidade rural tem sobre as grandes cidades. Ao se unir ao SISAR ela passa a se unir em torno de objetivos coletivos. Isso é muito importante.”, destaca. “A CTSR ao se juntar ao SISAR demonstra o quanto apoia essas iniciativas que vêm fazendo com que o saneamento rural cresça na região mais pobre do Brasil”, pontua.

Helder lembra que em pesquisa realizada pelo Banco Mundial, o sistema aparece como o melhor e mais eficiente para o saneamento rural do Brasil. Internacionalmente, ele ficou em segundo lugar. Em primeiro está modelo de gestão do país asiático Bangladesh.

Em relação à parte financeira do evento, Helder ressalta a ajuda do Banco Mundial, da Cooperação Suíça e da Fundação Avina, que financia a vinda de palestrantes de outros países. “Isso enriquece e viabiliza a realização de um evento tão importante para o setor de saneamento rural”, enfatiza

 

Serviço:

O quê: IX Seminário Nacional e IV Encontro Latino-Americano de Saneamento rural e IX Seminário de Gestão dos Sisars e Centrais

Quando: dias 23, 24 e 25 de maio de 2018

Onde: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará – IFCE Campus Quixadá – Avenida José de Freitas Queiroz, 5000, Quixadá/CE.

Mais informações no site do evento: aqui. 

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