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Silubesa: especialistas debatem sobre planejamento dos recursos hídricos e soluções de reúso

Painel foi coordenado por Renato Giani Ramos, coordenador da Câmara Temática de Dessalinização e Reúso da ABES

Em painel coordenado por Renato Giani Ramos, coordenador da Câmara Temática de Dessalinização e Reúso da ABES, nesta segunda-feira, primeiro dia do XVII Silubesa, os especialistas Francisco Taveira Pinto, presidente da Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos, Pedro Luís Prado Franco (SANEPAR), Helene Kubler (CH2M) e André Sousa (Dow Water & Process Solutions) discutiram sobre planejamento dos recursos hídricos e o reuso de água. O simpósio é promovido pela ABES em parceria com a Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos – APRH e a Associação Portuguesa de Engenharia Sanitária e Ambiental – APESB.

O presidente da APRH, Francisco Taveira, iniciou a discussão apresentando o Planeamento de Recursos Hídricos de Portugal, de competência da Agência Portuguesa do Ambiente, que tem por objetivo proteger as massas de água superficiais, interiores, costeiras, de transição e subterrâneas. Salientou diferentes planos que são realizados no país, como o de Ordenamento da Orla Costeira e de Ação de Proteção e Valorização do Litoral. E destacou o reúso em Portugal: “Mais da metade do território de Portugal continental sofre com déficit hídrico, situação muito agravada pelas secas que periodicamente afetam o país, com tendência a se acentuar nas regiões de Alentejo e do Algarve, devido às alterações climáticas”. Por outro lado, explicou, devido às políticas implementadas, como o tratamento, há um volume de água que pode suprir determinadas deficiências que há em algumas regiões do país. Taveira afirmou que “reduzir consumo de água é reduzir consumos de energia e de emissões de gás carbônico.”

Pedro Luis Prado Franco, da Sanepar, explicou que a região metropolitana de Curitiba (PR) tem escassez hídrica devido à baixa disponibilidade de água e alto crescimento populacional,  entre outros fatores, e abordou as vantagens e desvantagens do reúso. “Entre as vantagens do reúso direto urbano não potável estão os padrões menos restritivos e mais próximos dos padrões de efluentes e aplicação abrangente, com possibilidade de vários municípios aplicarem. As desvantagens são custos e a logística de transporte. A demanda depende da pluviosidade regional (irrigação de áreas), além da ausência de regulação. Reúso industrial tem várias vantagens, como a relação comercial e contratual e as tecnologias avançadas; quanto às desvantagens, podemos citar padrões de qualidade, logística e transporte específicos (padrões de qualidade e monitoramento mais restritivo).”

Pedro ressaltou a necessidade de regulação das diversas áreas de reúso no Brasil. “Os órgãos ambientais têm demanda para regularizar. Há necessidade de regulação focada em reúso urbano não potável e agrícola.”

Helene Kubler apresentou trabalho feito na Califórnia (EUA) de reúso de água não-potável, com destaque para o uso agrícola. “Em 2000, investiu-se em dois documentos fundamentais: Plano de Recursos Hídricos e Estudo de Viabilidade de Água de Reúso”, explicou. “Fatores de sucesso são necessidades claras, tarifas aceitáveis, parcerias fortes e comprometimento com a comunidade, com a qualidade da água e com a transparência na gestão.”

Ela afirmou que “o Brasil de hoje apresenta algumas das condições que fazem do reúso de água uma solução viável.”

André de Souza abordou a dessalinização. Para ele, esta pode ser uma opção interessante, pois tem enorme disponibilidade e há domínio da tecnologia. “O custo ainda é um problema? Diria que não. Existem 16 mil plantas de dessalinização no mundo e 300 milhões de pessoas no mundo fazem uso da água dessalinizada.”

Para o coordenador da CT Reúso e Dessalinização da ABES, Renato Giani Ramos, “a discussão sobre a utilização de novas fontes de recursos hídricos, principalmente através de dessalinização e reúso, é fundamental para garantir cada vez mais o abastecimento tanto para a população como para a indústria.”

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