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Silubesa: Tratamento de esgoto é qualidade de vida

Painel foi coordenado por Eduardo Pacheco Jordão (POLI/UFRJ e ABES-RJ) e contou com as participações de Américo de Oliveira Sampaio (SSRH/SP e coordenador da Câmara Temática Tratamento de Esgotos da ABES); Gustavo Rafael Collere Possetti, da SANEPAR; e Leiliane Saraiva (CAESB/DF).

“Gerando benefícios na operação de estações de tratamento de esgoto” foi o tema do terceiro painel desta terça-feira (7), no XVII Silubesa – Simpósio Luso-Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, que acontece no Costão do Santinho, em Florianópolis/SC, até esta quarta-feira. O simpósio é promovido pela ABES em parceria com a Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos – APRH e a Associação Portuguesa de Engenharia Sanitária e Ambiental – APESB no Costão do Santinho, em Florianópolis/SC.

Com coordenação de Eduardo Pacheco Jordão (POLI/UFRJ e ABES-RJ), o painel teve participação de Américo de Oliveira Sampaio (SSRH/SP e coordenador da Câmara Temática Tratamento de Esgotos da ABES), abordando a sustentabilidade econômico- financeira dos projetos de utilização de subprodutos de tratamento de esgoto sanitário; Gustavo Rafael Collere Possetti, da SANEPAR, falando sobre a valorização energética de subprodutos do processo de tratamento de esgotos; e Leiliane Saraiva (CAESB/DF), mostrando a experiência da CAESB.

“Os benefícios do tratamento de esgoto estão na produção de gás e sabemos que podemos ter um desenvolvimento econômico. Podemos gerar gás e abastecer uma cidade com 220 mil habitantes, gerar 27 mil kWh/d de energia”, afirmou Pacheco Jordão. “O aproveitamento do gás para energia elétrica pode gerar cerca de 40% do consumo de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE).”

O especialista mencionou a Resolução do Conama que define critérios e procedimentos para o uso agrícola do lodo gerado pela ETE e ressaltou que é necessário um plano de manuseio do lodo. “Não se pode simplesmente pegar e sair jogando por aí. Devemos reduzir a enorme quantidade de lodo produzido na ETE, ter estratégia para tirar esse lodo.”

Falando sobre a secagem térmica, ele explicou que esta traz benefício em relação ao custo. “Quanto vou gastar com a secagem? Mas e quanto você vai gastar com o transporte desse lodo? Esse é balanço econômico que de ser feito.”

E ressaltou que a geração de benefícios pode ocorrer a partir de fatores como gestão, tecnologias, benchmarking e recursos humanos. “Vamos ajustar, perseguir esses objetivos, ousar, ter eficiência energética.”

Américo de Oliveira Sampaio reforçou a explanação de Pacheco Jordão. “Como Jordão já disse, o principal benefício na operação de estações é o tratamento de esgoto, preservar os usos. É o que não estamos fazendo hoje no Brasil. Em relação a esse benefício, de devolver líquidos para os copos d’água, estamos muitos atrasados no país. Esperamos que isso mude rápido.”

Sampaio trouxe à discussão os números do Brasil: “Menos de 25% da população brasileira têm esse grande benefício hoje. Mais da metade da população não conta sequer com coletor de rede de esgoto.”

Em relação à geração de energia, Sampaio frisou que a matriz energética é bastante renovável no Brasil, devido aos recursos hídricos. Porém, o país ainda está muito baseado no petróleo e derivados. “A Alemanha é o país que apresenta maiores investimentos em geração de biogás a partir do tratamento de esgoto, depois vem Reino Unido e Itália.”

Falou sobre as formas de obtenção de biogás, como aterros sanitários, ETEs e Biomassa e dos usos do gás: “Podemos usar em redes de gás nas casas das pessoas, cogeração de energia elétrica, combustível veicular e cogeração de energia térmica.”

O painelista destacou projeto da Sabesp na produção de biometano, na ETE de Franca, em São Paulo. “Com 1m³ é possível produzir 1 litro de gasolina. Mais de 40 carros da Sabesp serão adaptados para receber o biometano.”

Defendendo a transformação de resíduos sólidos em benefícios para os brasileiros, Gustavo Rafael Collere Possetti citou como exemplo o que é feito na Alemanha, onde as mais de 8 mil plantas de biogás geram energia no país. “Não dá para conviver num país (Brasil) em que nem 40% do esgoto é tratado. Talvez a palavra-chave seja a valorização do tratamento de esgoto como fonte energética.”

Possetti afirmou que é “preciso olhar para a ETE Sustentável como indústria que trata esgoto, melhora a qualidade de vida e produz energia”. Destacou projeto da Sanepar, que monitora ETEs do Brasil. “Estamos medindo a vazão de gás, qualidade e vazão de esgoto.” Para Possetti, há oportunidades e desafios, e o Brasil precisa olhar de forma diferente para as ETEs Sustentáveis.

Em sua fala no XVII Silubesa, Leiliane Saraiva apresentou projetos desenvolvidos pela CAESB na recuperação de áreas degradáveis no Distrito Federal, como no plantio de mudas com lodo. Os resultados são considerados satisfatórios. “A gente está pegando lodo e colocando em áreas e a iniciativa está dando resultado.”

Um dos projetos é realizado em uma área ao lado do Parque Nacional de Brasília. O resultado ao longo dos anos é a volta da fauna ao local. “Estamos investindo em outras tecnologias, como projetos para secadoras.”

Importância dos debates

Para Américo de Oliveira Sampaio, da SSRH/SP e coordenador da Câmara Temática Tratamento de Esgotos da ABES) a discussão abordada no painel é “Fundamental”, enfatizou, mas ressaltou que que “ainda se debate muito e se faz pouco. É preciso ter o congresso e mais alguma coisa, cobrar um pouco mais do poder público. A ABES precisa ser protagonista e acompanhar todo esse processo”. O especialista cita a diferença entre os brasileiros e os alemães. O país europeu ganhou destaque no painel por ser exemplo de investimentos no tratamento de esgoto. “A Alemanha faz, essa a diferença do Brasil. Infelizmente, aqui o tema não se desenvolve como a gente quer. Há benefícios para a população além do tratamento de esgoto, como o uso do lodo e o biogás.”

O professor Eduardo Pacheco Jordão, da POLI/UFRJ e da ABES-RJ, destacou a participação do público no evento. “As perguntas são dirigidas a todos os painelistas. Isso demonstra interesse real pelos temas”, frisou. Sobre o painel afirmou que o Brasil ainda tem um longo caminho pela frente no processo de tratamento de esgoto e que a área precisa receber investimentos, principalmente no que se refere à educação sanitária. “As pessoas querem praias limpas, então precisam aprender a tratar o esgoto.”

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