Artigo: “Vamos Sanear o Brasil”, de Dante Ragazzi Pauli

Leia ​o artigo de Dante Ragazzi Pauli, coordenador da Câmara Temática de Comunicação da ABES, publicado originalmente na Revista do Congresso ABES Fenasan 2017 (acesse a revista aqui).

​Por Dante Ragazzi Pauli

​As notícias sobre o meio ambiente no Brasil soam desoladoras: desmatamento, dengue, poluição do ar e corpos d’água, doenças de veiculação hídrica e operadores de saneamento ineficientes são alguns exemplos do que normalmente circula nos meios de comunicação.

De vez em quando aparecem notícias animadoras.

De fato, nossos indicadores ambientais são alarmantes.

Em todos os encontros em que se reúnem profissionais do setor, falamos da falta de prioridade por parte de nossos governantes, do descaso da classe política, da falta de educação de parte expressiva de nossa população, da ausência de investimentos etc.

Mas também mostramos bons exemplos de gestão, de inovações tecnológicas de parcerias, de programas governamentais.

Dante Ragazzi Pauli

Colocando foco no setor de água e esgotos, minha área de atuação há mais de 30 anos, penso muito no trabalho conjunto das entidades que representam o setor. Como ex-presidente da ABES, acho que isto melhorou bastante nos últimos anos.

Unimo-nos para encontrar e apresentar saídas.

Juntamo-nos por mais de uma vez com o Ministério das Cidades e em várias oportunidades conversamos com representantes da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental.  Entregamos proposta com aquilo que entendemos ser o mínimo a ser implementado para que o setor ande a passos mais largos e velozes.

Resultado: NADA!!!

A reflexão: onde estamos errando?

Uma opinião pessoal: o setor tem um problema sério de comunicação.

Longe de entender muito do tema, aprendi muito sobre sua importância.

Por que é que a população não clama por melhorias dos setores de água e esgotos? E quando disponível, não faz voluntariamente a conexão dos imóveis à rede coletora de esgotos?

Por que nossos governantes, salvo raras exceções, não priorizam o setor e, consequentemente, são pífios os recursos a ele destinados?

Por que a sociedade não cobra do Governo Federal uma espécie de pacto político e organiza para valer o setor, diminuindo o número de operadores e passando a cobrar eficiência? Que fique claro que não se trata de defender uma forma ou outra de gerir importante serviço, mas o saneamento precisa de escala econômica.

Tudo piora diante da incrível crise que atravessam estados, municípios e tantos operadores de saneamento.

Talvez esperar estas cobranças por parte dos brasileiros seja sonhar alto. De fato, há outras prioridades, e aí a decisão do que escolher é pessoal.

O setor teve um “clique” de prioridade quando da crise hídrica que assolou a Região Sudeste.

Passada a crise, o tema voltou para segundo plano.

Dado o quadro acima, a ABES criou a Câmara Temática de Comunicação para debater esta fragilidade do setor.

Temos debatido com técnicos do saneamento e especialistas em comunicação a busca de soluções e ideias que façam a população entender que, verdadeiramente, o saneamento ambiental adequado traz redução de doenças e dos gastos com saúde corretiva.

É uma tentativa que se junta a outras para enfrentar o desafio de “Sanear o Brasil”.

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Dante Ragazzi Pauli é superintendente de Planejamento Integrado da Sabesp, professor de Saneamento nas Faculdades de Arquitetura e Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, ex-presidente da ABES e coordenador da Câmara Temática de Comunicação da ABES.

 

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