Em pré-evento do 8º Fórum Mundial da Água, ABES e Fundação FHC debatem gestão hídrica na Grande São Paulo

A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental -ABES e a Fundação Fernando Henrique Cardoso promoveram, nesta quarta, 14 de março, o debate: “Fórum Mundial da Água 2018: Os Desafios da Gestão Hídrica na Grande São Paulo”.

Os palestrantes foram Monica Porto, secretária adjunta de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo e Membro do Conselho Consultivo da ABES-SP, e Julian Thorton, especialista internacional em perdas de água. O encontro ocorreu na sede da Fundação, na capital paulista. Roberval Tavares de Souza, presidente nacional da ABES, e Sérgio Fausto, superintendente da Fundação FHC, também integraram a mesa. Membros da ABES prestigiaram o evento: o presidente da ABES-SP, Marcio Gonçalves de Oliveira, o vice-presidente da seção, Luiz Roberto Gravina Pladevall, o diretor da ABES-SP, Nivaldo Rodrigues da Costa Júnior, a coordenadora da Câmara Temática de Prestação de Serviços e Relacionamento com Clientes da ABES, Samanta Tavares, e a coordenadora ajunta da CT, Juliana Almeida Dutra.

Monica Porto, Julian Thorton, Roberval Tavares de Souza e Sérgio Fausto

Na abertura do evento, Roberval agradeceu a parceria com a Fundação FHC, que começou a ser construída em 2016. “Em 2017 fizemos alguns eventos conjuntos, alavancando tanto a Fundação como a ABES, uma entidade de 51 anos que tem por objetivo discutir o saneamento em todo o nosso país”, ressaltou.

Sobre o debate, rumo ao 8º Fórum Mundial da Água, que acontecerá de 18 a 23 de março, em Brasília/DF, com o tema central “Compartilhando Água”, Roberval Tavares frisou: “quando pensamos em fazer esse debate, o tema não poderia ser diferente, a questão da gestão hídrica na Região Metropolitana de São Paulo”, disse.

Em sua apresentação, Monica Porto, que é também presidente do Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (CEIVAP), fez, dentro do tema “Águas Paulistas: grandes desafios, grandes avanços”, uma retrospectiva da crise de escassez hídrica que atingiu fortemente a Grande São Paulo entre 2014 e 2015.

Resiliência

De acordo com a especialista, a grande lição que ficou para a cidade daquele acontecimento foi a resiliência, que em resumo, é a capacidade de resistir, absorver e se recuperar com eficiência das consequências de um desastre. Para aumentar a resiliência, conforme explicou Monica Porto, deve-se alcançar alguns objetivos como reduzir ameaça, aumentar garantia e robustez, reduzir a exposição: gestão de demanda e redução da vulnerabilidade, além de redundância e adaptação. “Foi feita uma série de ações para o enfrentamento da crise hídrica na RMSP que ilustra esse conceito de resiliência”, frisou. “Buscar novas reservas usando o volume morto significou um aumento de robustez no sistema, a interligação entre os sistemas de abastecimento significou um aumento da flexibilidade, e a atuação em perdas e incentivo ao uso racional ficou na gestão da demanda”, exemplificou a engenheira.

Nova agenda

Ainda segundo a exposição da especialista, “estas ações de segurança hídrica cria uma agenda. Uma agenda do século 21 não só para a RMSP, mas também para todo o Estado de São Paulo e até para o Brasil”, afrimou.

A agenda contempla 9 tópicos:

– Novos parâmetros de risco e aumento da redundância de oferta;

– Estratégias de comunicação, revisão de conteúdo dos planos de recursos hídricos para eventos críticos;

– Aperfeiçoamento dos planos setoriais de contingência;

– Revisão operacional sistemas de abastecimento: interligações, controle de pressões;

– Fomento a novo padrão de consumo;

– Gestão da demanda (programa permanente): uso racional, redução de perdas e reúso;

– Planos de Recursos Hídricos com estratégia de longo prazo par o enfrentamento de crises

– Atenção para um novo padrão de eventos críticos para o planejamento de recursos hídricos.

Para finalizar, Monica enfatizou a importância da realização do Fórum Mundial da Água no Brasil para abranger a discussão sobre esta agenda. “A vinda do Fórum é muito boa porque nos dá base, folego e força para essa discussão da nova agenda que precisamos ter. Vemos agora o Rio Grande do Sul sofrendo com a seca. E essa agenda tem de servir para todo o país”, concluiu.

Redução de Perdas

O especialista internacional em perdas de água Julian Thorton discorreu sobre o tema “Redução de Perdas na RMSP”. De acordo com o inglês, que tem experiência prática de 35 anos em mais de 30 países ao redor do mundo, incluindo o Brasil, São Paulo é um estado “abençoado” porque tem profissionais capacitados – na Sabesp – para trabalhar e enfrentar uma crise hídrica e continuar reduzindo perdas.

“Não é uma situação comum em todo o mundo. Na China, na Índia ou no Quênia a situação é diferente”, exemplificou. “Por outro lado, temos um sistema enorme, que tem problemas antigos como perdas de água. E na crise hídrica o foco nas perdas aumenta. Temos que trabalhar para conseguir justificar esse nível de perdas”

Julian Thorton aconselhou, ainda, que é importante seguir com os programas criados na ocasião da crise hídrica. “Precisamos dar continuidade na caminhada para conseguir 100% de controle de pressão [iniciada em 2014], para fazer análises cada vez mais dinâmicas, para conseguir fazer refinamento de pressão, e reduzir o número de vazamentos e volume perdido”.

(Da esq. para a dir.) o vice-presidente da ABES-SP, Luiz Roberto Gravina Pladevall; o especialista internacional em perdas de água, Julian Thorton; o presidente nacional da ABES, Roberval Tavares de Souza; o superintendente da Fundação FHC, Sérgio Fausto; a secretária adjunta de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo, Monica Porto; e o presidente da ABES-SP, Márcio Gonçalves de Oliveira.

 

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