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6º Seminário Nacional de Perdas começa nesta terça-feira em Belo Horizonte. Leia entrevista com o palestrante Waldecir Colombini, da Enorsul

Por Jessica Marques

O 6º Seminário Nacional Gestão de Perdas de Água e Eficiência Energética terá início nesta terça-feira, 15 de outubro, em Belo Horizonte, Minas Gerais. O evento reunirá especialistas de diversas áreas do saneamento do Brasil para compartilhar conhecimento e experiências práticas para o enfrentamento das perdas de água e a busca de eficiência energética nos sistemas de abastecimento (veja aqui a programação).

Um dos palestrantes será Waldecir Colombini, diretor técnico da Enorsul, especialista em redução e controle de perdas físicas de água e em redução de perdas de faturamento. Ele integrará o Painel 1, que debaterá o tema “Contrato de Performance: Perdas Reais”, ao lado de Alexsandro Barral (ENOPS Engenharia SA).

O especialista conversou sobre sua participação com o Portal ABES Notícias. Veja a seguir a entrevista:
ABES Notícias – Em sua visão, qual a importância do 6º Seminário Nacional de Gestão de Perdas de Água & Eficiência Energética?

Waldecir Colombini – Perdas de água constituem-se num problema universal que afeta sem distinção todos os órgãos responsáveis pelo saneamento no País, sejam eles públicos ou privados, de âmbito estadual, municipal ou regional, alguns em menor escala, outros de forma catastrófica, comprometendo não só a saúde e o bem-estar da população, mas a saúde financeira e a própria subsistência desses órgãos.

O Seminário Nacional de Gestão de Perdas de Água & Eficiência Energética, agora em sua 6ª edição, tem importância fundamental já que trata de promover o intercâmbio entre os profissionais que militam na área, difundir novas ideias, novos conceitos e novas tecnologias aos interessados, não apenas àqueles já experientes no ramo mas, principalmente, aos novos profissionais que, ano após ano, vêm engrossar nossas fileiras, além de estudantes que pretendem atuar futuramente no saneamento.

ABES Notícias – De que forma este debate pode contribuir para reduzir o desperdício de água no Brasil?

Waldecir Colombini – Na difusão e debate das novas ideias, dos novos conceitos e novas tecnologias, na troca de experiências entre os profissionais, contribuindo assim para o aprimoramento do conhecimento daqueles que já atuam na área e na formação dos novos profissionais e estudantes.

ABES Notícias – Em sua visão, quais são as principais perdas de água no país e como reduzir e controlar este problema?

Waldecir Colombini – Embora as questões envolvendo perdas de água já estejam razoavelmente bem disseminadas entre os profissionais que lidam com o saneamento no País, a verdade é que o seu efetivo combate ainda engatinha na quase totalidade dos nossos sistemas de abastecimento de água, em patamares variando de 25% a 30%, naqueles mais bem situados, até valores superiores a 60%, onde pouco se faz, até mesmo para estancamento de vazamentos visíveis que afloram nas ruas.

As perdas, tanto as reais como as aparentes, são problemas seríssimos e requerem a mesma seriedade no seu combate pois, se de um lado, as perdas reais provocam ou agravam problemas de desabastecimento, elevação dos custos operacionais, gerando a necessidade de melhorias ou ampliação dos sistemas, de outro lado, as perdas aparentes provocam uma sangria nos cofres dos órgãos responsáveis pelo saneamento, muitas vezes já combalidos, comprometendo seriamente a capacidade de investimento em equipamentos e obras de ampliação e, até mesmo, de manter em dia os compromissos com folha de pessoal e fornecedores de insumos.

A redução e o controle das perdas reais e aparentes se iniciam, como não poderia deixar de ser, na sua quantificação através da divisão da rede de distribuição em setores e subsetores de abastecimento bem definidos, seguida da macro e da micromedição, de forma eficientes, para que seja possível obter o balanço hídrico e diagnósticos precisos acerca da real situação do sistema e para que se possam avaliar os progressos nas etapas seguintes. A partir do balanço hídrico e desse diagnóstico será possível, com maior objetividade, estabelecer os rumos a serem tomados, para a efetiva redução e o controle, havendo, na maioria dos casos, necessidade de ações integradas das diversas atividades, além de, sobretudo, a implantação de um sistema de supervisão e controle da rede distribuidora, monitorando à distância de uma central de controle, em tempo real e permanentemente vazões, pressões, níveis de reservatórios e outros parâmetros,  com o gerenciamento das ações de combate de modo que se garantam os efetivos resultados alcançados e sua perenização consolidando o quadro de redução das perdas.

ABES Notícias – O tema do seu painel será “Contrato de Performance: Perdas Reais”. Poderia comentar, brevemente, o assunto?

Waldecir Colombini – A Enorsul é pioneira em contratos de performance, possuindo em seu acervo técnico os primeiros projetos desenvolvidos pela SABESP na modalidade, tão bem-sucedidos que serviram de base e exemplo para elaboração de artigos defendendo essa forma de contratação e sua disseminação em projetos similares.

As principais vantagens dos contratos de performance residem no fato de que o que está sendo contratado não é meramente a prestação de serviços ou elaboração de projetos ou, ainda, execução de obras, mas sim os resultados pretendidos, gerando com isso os efeitos positivos, ao menor custo e menores prazos.

A palestra a ser proferida, “Contrato de Performance: Perdas Reais”, tem como objetivo apresentar os resultados alcançados pela empresa em projetos de redução e controle de perdas, demonstrando ser plenamente possível aplicar esses mesmos conceitos de projetos de redução de perdas aparentes.

ABES Notícias – De que forma os governos federal, estadual e municipal podem contribuir para a gestão de perdas de água e eficiência energética?

Waldecir Colombini – Cabe ao Estado colocar à disposição das operadoras responsáveis pelo saneamento os recursos necessários, através de programas e linhas de financiamento, para promover o desenvolvimento destes projetos, tanto para as concessionárias como para as prestadoras de serviços, de modo a criar meios para o desenvolvimento dos projetos e garantir o pagamento das contratadas.

Às operadoras, cabe fazer o melhor uso desses recursos através do desenvolvimento de projetos e contratações de serviços que gerem os melhores resultados, podendo-se citar os contratos de performance.

A lei das estatais, em seu Artigo 45, admite os contratos de performance, estabelecendo a remuneração variável vinculada ao desempenho do contratado, com base em metas, padrões de qualidade, critérios de sustentabilidade ambiental e prazos de entrega definidos no instrumento convocatório e no contrato. Nesse mesmo Artigo, em seu Parágrafo Único, está estabelecida a utilização da remuneração variável respeitando o limite orçamentário fixado pela empresa pública ou pela sociedade de economia mista para a respectiva contratação.

As autarquias municipais não dispõem de uma regulamentação que incentive ou que proíba esse tipo de contrato, permanecendo na dependência dos tribunais de contas, cujos conselheiros e técnico não perceberam ainda a eficiência e transparência deste tipo de contestação o que é uma dificuldade pra autarquias municipais,

 ABES Notícias – Qual o papel da Enorsul nesta missão?

A Enorsul se vê na posição de vanguarda entre as prestadoras de serviços em saneamento, principalmente em vista de sua vocação desenvolvedora de projetos, na formulação de novos conceitos e novas soluções e na aplicação de novas tecnologias, fiel sempre à política da empresa de prestar serviços com foco nas expectativas e necessidades de nossos clientes, por meio de profissionais qualificados e de recursos técnicos avançados, observando permanentemente e cumprindo os requisitos aplicáveis.

Não se trata de uma mera autoproclamação essa posição de vanguarda, mas de reais conquistas alcançadas, muitas vezes de forma pioneira, na execução de serviços com resultados expressivos em contratos como os de performance, tanto para a redução de perdas reais como de perdas aparentes, tornando a Enorsul uma das empresas mais premiadas pela Sabesp.

É fruto do reconhecimento dos profissionais das principais companhias de saneamento do País, como a Sabesp e Compesa, pelos excelentes resultados nestes projetos, podendo-se citar os contratos de performance Venda d’água da Compesa que vem trazendo grandes resultados para aquela companhia e na Sabesp, em contratos de performance de redução de perdas reais e aumento da arrecadação como os de Mussolini, em São Bernardo do Campo e de comunidades carentes na região de Interlagos, na cidade de São Paulo.

 

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