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Notas do 28º CBESA

São Francisco agoniza
A situação do Rio São Francisco é dramática, alerta o vice-presidente nacional da ABES, Álvaro Menezes. A barragem de Sobradinho, o maior de todos os barramentos do Velho Chico, está com menos de 10% de volume. A captação de água no município de Pão de Açúcar está sendo feito com tubulações flexíveis sobre boias, para alcançar áreas com maior profundidade. Há mais esgoto, decorrente do crescimento populacional, e menor volume de água para diluir. Há assoreamento no próprio São Francisco e acumulado em decorrência de erosão nos afluentes. É preciso reflorestar, mas isso é para longo prazo. Agora, diz Álvaro, é preciso fazer boa gestão da água que existe. E é pouca. É preciso tratar os esgotos, mas as prefeituras não têm recursos. A arrecadação oriunda da taxa de utilização da água por parte das empresas é insuficiente para cobrir. E muitas empresas não pagam. Essa degradação dos rios pela poluição dos esgotos também está acabando com as praias do Nordeste, adverte o vice-presidente nacional da ABES. Que aponta agora um novo fator conjuntural a agravar esse quadro, que é a crise econômica em que o Brasil mergulhou.

O vice-presidente nacional da ABES, Álvaro Menezes – foto: Gipsy Produções

Planejamento e uso compartilhado
O planejamento dos diferentes usos da água nem sempre leva em conta que esse bem é compartilhado. O alerta é da secretária adjunta de Recursos Hídricos de São Paulo, Mônica Porto, membro do Conselho Consultivo da ABES-SP. Ela explicou no painel de recursos hídricos que a água tem sazonalidades, muitas vezes conflitantes. Mas que às vezes essa sazonalidade é benéfica, como durante o verão, pois aumenta a oferta quando há crescimento da demanda. Há casos em que o conflito é claro, no turismo, por exemplo. Precisa-se baixar o nível de um reservatório e o uso para o lazer não recomenda isso, disse Mônica. Ela afirma que o Brasil perdeu a segurança hídrica ao optar por usinas a fio d`água, que não têm reservação, deixando a oferta de água ao sabor dos regimes hidrológicos, que estão sendo muito afetados pelas mudanças climáticas. Ela acredita que essa opção por fio d`água terá de ser rediscutida .

Parceria
A editora Elzevir fechou parceria com a ABES para incluir na linha editorial da entidade suas publicações ligadas ao saneamento. Um coquetel na tarde de terça-feira no estande da ABES no Riocentro marcou o início da cooperação, com o lançamento de duas obras: Drenagem Urbana, de Marcelo Gomes, Aline Pires e Osvaldo Rezende; e Hidrologia, de Luciene Pimentel da Silva.

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