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Painel sobre suinocultura, impacto ambiental e aproveitamento de biogás encerra o Silubesa

Suinocultura, impacto ambiental e aproveitamento de biogás encerra o Silubesa no Costão do Santinho, em Florianópolis/SC

O último painel apresentado no XVII Silubesa – Simpósio Luso-Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, na quarta-feira, dia 8, abordou a “Suinocultura – Impacto Ambiental e Aproveitamento do Biogás”.

Com coordenação de Paulo Belli Filho, da UFSC/SC, que também discorreu sobre o tema “Potencialidades da produção de biogás através de resíduos da produção animal”, o painel contou com participação de Claudio Rocha de Miranda, da Embrapa, falando de gestão social em bacias hidrográficas com intensa produção de animais; Gerson Conceição, da EPAGRI, que fala dos impactos ambientais da produção de animais; e Jorge Manuel Rodrigues Tavares, da UFSC, abordando o uso eficiente da água na produção animal. O simpósio é promovido pela ABES em parceria com a Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos – APRH e a Associação Portuguesa de Engenharia Sanitária e Ambiental – APESB no Costão do Santinho, em Florianópolis/SC.

Cláudio Rocha de Miranda defendeu que o equilíbrio entre as necessidades humanas e que a demanda de recursos animais dependerá em um grau significativo do que será feito da produção animal. “O destino ambiental do planeta passa pelo animal”, alertou.

Miranda detalhou ações da Embrapa em tecnologias como leito de compostagem, biodigestores para saneamento, energia e fertilizantes. Destacou a cadeia de carne no mundo e a previsão de que a produção deve duplicar nos próximos anos. Disse que, atualmente, há 903 milhões de suínos no mundo. “Hoje, a carne de porco é a mais consumida no mundo”, enfatizou, salientando que, quanto melhor a renda de um país, maior o consumo de proteínas, ou seja, come-se mais carne. “Precisamos de planos de gestão eficientes.”

Gerson Conceição elogiou a organização do XVII Silubesa e agradeceu o convite para participar como palestrante. Ressaltou o desafio entre produção animal e o impacto ambiental e defendeu investimentos em tecnologia. Ainda, enalteceu diversas ações da EPAGRI em defesa do meio ambiente. “Temos feito um esforço grande para ter um técnico em cada município, levantar todos os problemas e trazer aos especialistas para procurar e encontrar algumas soluções”, afirmou ele, destacando ações de recuperação de áreas degradadas, pastagens, monitoramento de solos e do impacto ambiental. Conceição lembrou que a meta do Brasil é reduzir a emissão de gases em 37% até 2025. “O Brasil não tem feito a sua parte, pois a emissão de gases do efeito estufa continua aumentando”, alertou.

Quem também agradeceu o convite e a oportunidade de participar do XVII Silubesa foi Jorge Manuel Rodrigues Tavares, que abordou o uso eficiente da água na produção animal e o conceito de descarga zero. “Como devemos preservar a água? Será que está sendo tratada como recurso finito?”, questionou. “Temos que ter desenvolvimento sustentável.”

Ele defendeu o uso eficiente de água na produção pecuária. Para isso, apresentou um projeto desenvolvido em Santa Catarina pela Universidade Federal, Embrapa e Epagri, em que foi possível reduzir 50% o consumo de água. Tavares observou que o trabalho precisa ser feito no campo, que o produtor tem de saber como se faz. “Criamos um sistema automatizado para medição e diagnóstico ‘online’, tanto para a água quanto para o dejeto.”
A redução no consumo de água chegou a 80 m³/dia e uma economia de mais de R$ 165 mil em oito meses. “Não adianta olhar para fora se não olharmos para nossa realidade. Cada produtor é um produtor, cada granja é uma granja, cada Estado tem um microclima”, pontuou.

Paulo Belli Filho destacou a Digestão Anaeróbia e o potencial da produção de gás metano em Santa Catarina por meio de resíduos animais. O especialista disse que questões políticas e de investimentos entravam o setor. “Algo tem que ser revisto nesse lado da sustentabilidade. No Brasil, não é mais falta de conhecimento dos nossos problemas, pois temos base de dados, ações em muitas regiões. Temos que avançar na gestão, no comprometimento, na preservação, ética, conhecimento.”

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