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Prêmio Jovem da Água de Estocolmo: leia entrevista inspiradora com cientista premiada pela ONU

Na edição 2019 do Prêmio Jovem Cientista do CNPQ (2013), a biotecnóloga brasileira, Anna Luisa Beserra, foi vencedora pela América Latina e Caribe. Foto: ONU
Por Clara Zaim
 
O Prêmio Jovem da Água de Estocolmo – etapa brasileira recebe inscrições de trabalhos até o dia 22 e março (acesse aqui).

Inspire-se com a história de Anna Luisa Beserra, de 22 anos, primeira vencedora do Prêmio Jovens Campeões da Terra, principal premiação ambiental das Nações Unidas para jovens entre 18 e 30 anos. Ela conta a sua trajetória de estudos até a conquista da premiação que foi responsável pelo grande desenvolvimento da sua carreira profissional. 

“Desde os três anos dizia que seria cientista. As matérias de ciência sempre foram as que mais despertavam a minha curiosidade e as que eu mais me destacava. Tanto até que o meu presente de aniversário nos meus 15 anos, não foi festa nem viagem, foi um microscópio profissional”, detalha a jovem.

Aos 15 anos, ela participou do Prêmio Jovem Cientista do CNPQ (2013). Na ocasião, a seca no semiárido brasileiro era um problema e por viver tão próxima dessa realidade encontrou motivação para tentar solucionar a questão. “Comecei a pesquisar sobre o tema e tentar achar soluções que fossem viáveis para aplicar na região. Achei o SODIS (Solar Water Disinfecion) uma metodologia que utiliza a radiação solar para matar os microrganismos presentes na água através de exposição das garrafas PETs ao Sol. Vi que era uma metodologia fantástica, mas que não era muito difundida”, explica.

O Aqualuz, projeto de sua autoria, surgiu com estudos aprofundados sobre as limitações técnicas dessa metodologia. O fato da exposição ser de 6h a 48h, sem que a pessoa consiga saber quando a água estará pronta para o consumo, e o fato da garrafa PET eliminar substâncias tóxicas na água. A partir disso, Anna Luisa começou a focar nessas limitações em uma tecnologia que fosse facilmente adaptável, durável e de baixo custo, levando a independência do acesso à água. Ela não ganhou o Prêmio CNPQ, mas continuou com os estudos sobre a tecnologia e foi a grande vencedora do Prêmio Jovens Campeões da Terra da ONU, em 2019, com o Projeto Aqualuz.

Para Anna, a premiação trouxe muito orgulho, reconhecimento, credibilidade e abriu muitas portas para a sua carreira.

“É o prêmio que mais me orgulho até hoje de ter ganhado, sendo não só a primeira brasileira, mas também nordestina, baiana e mulher! Ter o selo da ONU faz com que eu me torne uma autoridade no assunto, e o projeto recebe mais credibilidade. Muitas portas foram abertas, queremos focar no Brasil, e atingir as mais de 1 milhão de famílias que vivem sem acesso à água potável. Outra pretensão é levar o Aqualuz para outros continentes e beneficiar o mundo inteiro”, salienta.

A cientista deixa uma mensagem de incentivo aos jovens brasileiros para que participem do Prêmio Jovem da Água de Estocolmo (Stockholm Junior Water Prize – SJWP), que reúne empreendedores entre 15 e 20 anos de todo o mundo, para solucionarem desafios relacionados à água e sustentabilidade. 
 
“O Prêmio Jovem da Água de Estocolmo é uma grande premiação, que pode dar credibilidade ao trabalho dos jovens cientistas brasileiros, abrindo portas no mundo inteiro”, frisa. “E além disso tudo, tenho certeza de que será uma oportunidade também de fazer novos (e importantes) contatos, e aprender coisas novas que ajudaram aos jovens a se tornarem melhores profissionais”, finaliza.
 

Sobre o Prêmio Jovem da Água de Estocolmo

O Prêmio Jovem da Água de Estocolmo (Stockholm Junior Water Prize – SJWP) reúne jovens inovadores entre 15 e 20 anos de todo o mundo, encorajando seu interesse em desafios relacionados à água e sustentabilidade. Criado em 1997 pelo SIWI – Instituto Internacional de águas de Estocolmo (Stockholm International Water Institute), o prêmio é organizado anualmente em duas etapas: uma nacional, realizada em cada um dos países participantes, e uma internacional, na qual ocorre a grande final.  as inscrições para envio de trabalhos vão até 22 de março. Acesse aqui.

O SJWP conta com a participação de milhares de jovens de mais de 30 países. A etapa internacional ocorre em Estocolmo na Suécia, durante a Semana Mundial da Água de Estocolmo (Stockholm World Water Week). 

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