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SILUBESA: leia entrevista com o presidente da Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos, Carlos Coelho

Especialista comenta importância da troca de experiências entre Brasil e Portugal. XIX Simpósio Luso-Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental ocorrerá online de 25 a 27 de agosto. 

Por Jéssica Marques

“As relações institucionais e históricas entre Portugal e Brasil são propícias a colaborações em diversos setores e áreas de conhecimento. A partilha de know-how entre universidades, por meio de projetos colaborativos conjuntos e de intercâmbio de estudantes, entre a comunidade técnica e entre as associações técnico-científicas do setor tem acontecido de forma efetiva e apresenta um potencial de crescimento”. A afirmação é de Carlos Coelho, presidente da Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos – APRH, ao ressaltar a importância da troca de experiências entre os dois países na realização do XIX Simpósio Luso-Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental – SILUBESA, que ocorrerá online de 25 a 27 de agosto. 

“Neste âmbito, destaca-se a organização conjunta e o apoio mútuo a eventos técnico-científicos internacionais, como é o caso do SILUBESA, que representam plataformas estratégicas de cooperação e de partilha”, complementa o especialista. 

O evento é promovido pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES, em parceria com a Associação Portuguesa de Engenharia Sanitária e Ambiental APESB e a APRH. 

Confira a entrevista, na íntegra, com o presidente da APRH, Carlos Coelho: 

ABES Notícias – Esta é a 19º edição do evento Simpósio Luso-Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental – SILUBESA. Qual é a importância desta parceria e quais são os principais frutos da união entre as associações? 

Carlos Coelho – Esta edição do Simpósio é uma parceria entre a ABES, a APRH  e a APESB. O número de edições do SILUBESA demonstra por si só um reconhecido prestígio, constituindo um espaço privilegiado de partilha de conhecimento, de discussão e debate das questões do saneamento, em ambos os países. Como é objetivo do Simpósio, penso que este é um contributo efetivo para o desenvolvimento da engenharia sanitária e ambiental, possibilitando a atualização técnico‑científica, de profissionais e estudantes, entre os países de língua portuguesa. 

ABES Notícias – Como o senhor vê a troca de experiência entre Portugal e Brasil no saneamento? 

Carlos Coelho – As relações institucionais e históricas entre Portugal e Brasil são propícias a colaborações em diversos setores e áreas de conhecimento. A partilha de know-how entre universidades, através de projetos colaborativos conjuntos e de intercâmbio de estudantes, entre a comunidade técnica e entre as associações técnico-científicas do setor tem acontecido de forma efetiva e apresenta um potencial de crescimento. Neste âmbito, destaca-se a organização conjunta e o apoio mútuo a eventos técnico-científicos internacionais, como é o caso do SILUBESA, que representam plataformas estratégicas de cooperação e de partilha. 

ABES Notícias – Quais são os principais avanços e desafios de Portugal e como podem servir à experiência brasileira? A Associação acompanha boas práticas brasileiras que tenham se destacado?   

Carlos Coelho – Em Portugal, verificou-se um balanço globalmente positivo nas últimas décadas no setor da água. No passado, a água em quantidade e qualidade, e a preservação dos recursos hídricos e do meio ambiente representavam problemas reais. Pelo enquadramento legislativo, pela aplicação de fundos comunitários e pela constituição de sistemas multimunicipais robustos verificou-se uma melhoria significativa que contribuiu para a preservação dos recursos e para a consolidação dos serviços de águas. Atualmente, salientam-se como principais desafios a gestão de infraestruturas construídas, a melhoria contínua na exploração dos sistemas, a sustentabilidade económica e ambiental, a incorporação de novas tecnologias, a implementação de uma lógica de economia circular e a abordagem integrada dos desafios globais, como é o caso da adaptação climática. Nestes desafios, como em tantos outros, a APRH acompanha as boas práticas brasileiras, num pressuposto de partilha e de aprendizagem mútua.  

ABES Notícias – Em sua avaliação, qual a relevância do SILUBESA para o setor e para as associações envolvidas? 

Carlos Coelho – O SILUBESA será um espaço privilegiado de discussão que contará com a presença da comunidade técnica, da academia e de decisores. A partilha de conhecimento, de experiências, de ofertas comerciais e de avanços tecnológicos contribuirá para o fomento da colaboração entre a academia e a indústria, para o reforço de capacitação do setor e para a sensibilização da gestão de topo e dos decisores para os principais desafios do setor. 

ABES Notícias – Quais são suas expectativas para o evento, que será online neste ano? 

Carlos Coelho – Num contexto de grandes desafios, de problemas complexos e de cenários de incerteza que se colocam globalmente e, em particular, ao setor de saneamento e meio ambiente, torna-se preponderante o estreitar de relações entre os diferentes stakeholders, designadamente entre as associações técnico-científicas, para que através da partilha de conhecimento possamos estar mais preparados e atuantes. As condições online limitam o contacto direto, sempre importante, mas facilitam a presença de um maior número de participantes, potenciando novas parcerias e colaborações. Por isso, as expectativas da APRH são positivas e incorporam a convicção de que através deste evento, que se realiza com as limitações atuais, e de outras iniciativas que partilharemos futuramente, iremos continuar a trabalhar de forma resiliente e cooperante em prol do setor. 

 

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