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CT Tratamento de Esgoto tem novo coordenador

Por Sueli Melo

A Câmara Temática de Tratamento de Esgoto da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES tem um novo coordenador. O engenheiro Edgard Faust Filho, gerente de Unidade de Serviços de Planejamento de Esgotos da Companhia de Saneamento do Paraná – SANEPAR, assume a função no lugar de Américo de Oliveira Sampaio. Edgard Filho foi presidente da ABES Seção Paraná (ABES-PR) nos biênios 2009-2011 e 2011-2013.

Confira a entrevista a seguir na qual o novo coordenador destaca que a Câmara pretende discutir de forma aprofundada o tema, considerando as tecnologias e o respeito às realidades locais. E ressalta, ainda, o lento avanço e os desafios no contexto do tratamento de esgotos, além da necessidade da criação de programas de investimentos para o setor de saneamento no Brasil.

Leia abaixo:

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Edgard Faust Filho, novo coordenador da CT Tratamento de Esgoto, é ex-presidente da ABES-PR.

ABES Notícias – Quais as perspectivas para a CT sob sua coordenação?

Edgard Faust Filho – Em linhas gerais, o trabalho da Câmara Temática de Tratamento de Esgoto (CTTE) será ordenar os principais pontos de discussão e planejar, de acordo com as programações da ABES nacional, das Seções estaduais e da CTTE, eventos que contribuam com propostas de melhorias e de aprofundamento do debate técnico.

Já estamos elaborando um planejamento das atividades da CTTE e, nesse mês de setembro, iniciaremos os contatos com as Seções para definirmos atividades conjuntas.

O Brasil possui uma extensão territorial continental com diversidades econômicas, climáticas e culturais que devem ser utilizadas, com o devido conhecimento técnico, para o adequado uso das tecnologias aplicadas no tratamento do esgoto.

Essa será a grande contribuição da CTTE: aprofundar o debate e buscar entender e aplicar as tecnologias, respeitando as realidades locais.

ABES NotíciasQual é a sua visão sobre a situação do tratamento de esgotos no Brasil?

Edgard Faust Filho – Comenta-se, respeitando os avanços realizados até aqui, que os sistemas de abastecimento com água tratada possuem séculos de experiência, na implantação e na operação. Já os sistemas de coleta e tratamento de esgoto, com todos os seus graus de eficiência, possuem apenas décadas. Temos muito a construir e desenvolver.

Os dados apresentados pelo Sistema Nacional de Informações em Saneamento (SNIS) de 2014 estão nos mostrando o imenso trabalho que temos pela frente. Por exemplo: apenas 41% do volume de esgoto gerado no Brasil é tratado, e do esgoto coletado atingimos apenas 71% de índice de tratamento.

Em estudos ainda em andamento da Agência Nacional de Águas, cerca de 2.200 Estações de Tratamento (ETE) foram identificadas, das quais 80% estão em cidades com população inferior a 20.000 habitantes, o que exige maior atenção em relação a problemas operacionais e de gestão.

ABES Notícias – Quais os principais desafios, levando-se em conta que apenas 40% dos esgotos do país são tratados?  Têm ocorrido avanços neste sentido? Se sim, quais?

Edgard Faust Filho – Avanços ocorrem sim. Entretanto, não na velocidade necessária e almejada. A cada dia percebe-se mais a presença do saneamento na agenda política do país. São necessários programas de investimentos que proporcionem efetividade a essa reconhecida importância. O saneamento tem que fazer parte da pauta de infraestrutura para o desenvolvimento do país.

A sociedade está mais participativa e os instrumentos legais de planejamento e controle social estão se fortalecendo. Aumentaram os volumes de investimentos, onerosos e não onerosos, em sistemas de esgotamento sanitários, com ênfase no tratamento. Sabe-se, porém, que o Plano Nacional de Saneamento (Plansab) estabeleceu valores de investimentos e metas que não atendem os objetivos e, muito menos, o atendimento aos requisitos legais.

Um exemplo dessa dificuldade, com relação aos requisitos legais, se dá em ETE com Lagoas Facultativas, que apresentam boas eficiências na remoção de DBO5, 20 e DQO. Entretanto, com a proliferação de algas, há uma queda na eficiência, principalmente na DQO, e aumento do SST. Em alguns Estados, que não aceitam amostras filtradas do efluente, isso tem gerado a demanda de grandes investimentos.

ABES Notícias – Quais os caminhos possíveis para tentar melhorar esse cenário?

 Edgard Faust Filho – A cada dia fica mais claro que só vamos encarar o desafio com seriedade quando entendermos a importância do Desenvolvimento Sustentável. Isso representa muito mais que mudança de palavras – de Crescimento para Desenvolvimento e Sustentabilidade, agrega-se qualidade de vida e implica em Saneamento Ambiental.

Há vários atores nesse contexto e percebe-se que temos elementos de sobra para conduzir o atendimento aos desafios do Saneamento. A academia, os fornecedores de produtos e serviços, o próprio Estados entre outros, todos estão se preparando e apresentam condições para soluções dos problemas. Nos últimos anos houve uma predisposição desses atores, que resultou em soluções rápidas e adequadas.

São inúmeros os fornecedores de ETE, modulares ou não, e de sistemas de tratamento em modelo “turn key”. Cresce a visão que as Estações não são mais fontes de custos e problemas. Há projetos que buscam a sustentabilidade econômica com soluções baseadas em aproveitamento dos subprodutos oriundos do tratamento de esgotos.

Exemplo disso é o Probiogás, programa de desenvolvido pelo Ministério das Cidades, juntamente com o Ministério de Meio Ambiente da Alemanha. Há várias outras iniciativas, com sucesso, de aproveitamento pelo reúso dos efluentes tratados das ETE.

ABES Notícias – De que forma a crise de escassez hídrica que atingiu parte de Brasil há dois anos, e que levantou inúmeros debates sobre o setor de saneamento, impacta na questão do tratamento de esgoto?

Edgard Faust Filho – Percebe-se uma curva ascendente no número de pesquisas e no desenvolvimento tecnológico com foco em reúso, aproveitamento dos subprodutos do esgoto, combinação do uso de fontes de energia e sistemas conscientes no uso e no tratamento de esgotos. Pode-se afirmar que a crise hídrica vivida nos últimos anos, principalmente na região metropolitana da maior cidade do país – São Paulo, foi um amargo propulsor dessa curva ascendente.

Nesse sentido, várias iniciativas foram desenvolvidas: reúsos indiretos e diretos, sendo os primeiros mais difundidos em sistemas de saneamento e o segundo em sistemas industriais; aumento de fornecedores de produtos, com base em vários processos de tratamento e aproveitamento dos subprodutos dos efluentes, resíduos e gases; e legislações estaduais e municipais, para regulamentar o reúso dos efluentes.

ABES Notícias – Como conscientizar a sociedade sobre a importância de universalizar o saneamento no país? E como as Câmaras da ABES podem atuar neste sentido?

Edgard Faust Filho – Acredito que as respostas anteriores atendem boa parte dessa questão. Entendo que as Câmaras Temáticas da ABES devem buscar articulação entre si, pois, os objetivos são interligados e isso fortalecerá a nossa causa, o Saneamento.

 

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