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Pesquisadores debatem no 31º Congresso da ABES monitoramento do esgoto como ferramenta de vigilância epidemiológica

Resultados obtidos durante a pandemia da Covid-19 apontam novos caminhos para os trabalhos de política pública de saúde.

Por Equipe de Comunicação ABES

O mapeamento da ocorrência do novo coronavírus, a partir do monitoramento do esgoto, vem se mostrando uma importante ferramenta de vigilância epidemiológica para o entendimento e controle da contaminação da Covid-19. Para mostrar ações desenvolvidas com bons resultados nesse contexto, foi promovido o painel “Vigilância Epidemiológica do Novo Coronavírus a partir do Monitoramento do Esgoto: Resultados e Perspectivas para o Brasil”, no dia 20 de outubro, último dia da 31ª edição do Congresso da ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, em Curitiba/PR. Confira o álbum de fotos (oficial) aqui e do público aqui.

O painel abordou as lições aprendidas e os resultados dos estudos conduzidos nas cidades de Curitiba/PR, Foz do Iguaçu/PR e Belo Horizonte/MG, em que o esgotamento sanitário é investigado de forma inovadora no Brasil, com integração nos níveis federal, estadual e municipal. Foram debatidas metodologias, a importância da abordagem, a criação de redes colaborativas e as correlações com dados de saúde, além das perspectivas para criação do Programa Nacional de Vigilância Epidemiológica a partir do monitoramento do esgoto.

 

O painel foi aberto por Marcelo Miki, gerente do Departamento de Implantação de Pesquisa, Desenvolvimento de Projetos e Inovação da Sabesp – Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo; e teve como moderador, Rodrigo Bueno, professor de Engenharia e Ambiental e Urbana da Universidade Federal do ABC e gerente do Departamento de Implantação de Pesquisa, Desenvolvimento de Projetos e Inovação da Sabesp – Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo.

 

Também participaram Carlos Alberto Perdigão Pessoa, engenheiro e coordenador da Superintendência de Planejamento de Recursos Hídricos da ANA; Carlos Augusto Lemos Chernicharo, professor do Depto. de Engenharia Sanitária e Ambiental e coordenador do INCT ETEs Sustentáveis; Ramiro Gonçalves Etchepare, professor do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Universidade Federal do Paraná (UFPR); Simone Frederegi Benassi, gestora do Programa de Monitoramento e Avaliação Ambiental da Itaipu Binacional; e César Rossas Mota Filho, professor Associado no Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFMG e subcoordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em ETEs Sustentáveis (INCT-ETEs Sustentáveis). 

Marcelo Miki iniciou o debate destacando a importância do tema. “O mapeamento da ocorrência do novo coronavírus a partir do monitoramento do esgoto, vem se mostrando uma ferramenta de vigilância epidemiológica importante para o entendimento e controle da Covid-19. Isso porque o esgoto gerado por pessoas contaminadas possui traços do novo coronavírus na forma inativa e, portanto, não infecciosa e transmissível, porém que possibilitam um diagnóstico precoce da quantidade de pessoas e das áreas mais afetadas pela doença. Assim, esse monitoramento pode ser útil para orientar políticas públicas de enfrentamento à Covid-19”, informou.

Na sequência, Rodrigo Bueno apresentou mais detalhes sobre os estudos. “Um tema oportuno, de relevância. Uma ferramenta que traz muitos benefícios para propor ações de enfrentamento, com identificação de locais que podem ter surtos e com isso antecipar medidas de reação. É um modelo de baixo custo, que gera economia e reforça muito o trabalho no combate às doenças. Esses modelos de sucesso apresentados aqui mostram que é possível usá-la como política pública de saúde”, apontou.

Carlos Alberto Perdigão Pessoa considera o tema ainda novo em estudos no país, mas com resultados profícuos. “Foi possível identificar a presença do vírus e como se dá a circulação nos espaços. Ele pode antecipar a tomada de decisões a partir dos resultados e deve servir de semente para um futuro programa nacional de vigilância sanitária com base no monitoramento dos esgotos”, ressaltou.

Carlos Chernicharo apresentou resultados e detalhes técnicos do estudo. “Não é algo novo, foi usado por volta de 1850 na Inglaterra, em epidemias de cólera, e nos anos 1940 nos Estados Unidos, para controle da poliomielite. Vários países o usaram agora, durante a pandemia. Esgoto não é só fonte de contaminação, mas também de controle. E este não é só um projeto de pesquisa, e sim de impacto social para as melhorias das políticas públicas de saúde de uma região”, argumentou.

Pontos do projeto em andamento em Belo Horizonte foram ressaltados por César Mota. “Esgoto é fonte de doenças e também de recursos, como água de reúso e biogás, e também de informações valiosas. Mas ainda estamos aprendendo a usar essa ferramenta. Em Belo Horizonte, os grandes picos de traços do vírus encontrados no esgoto antecederam os picos da doença, assim como a diminuição antecipa o recrudescimento da pandemia”, explicou.

Pesquisador da UFPR, Ramiro Etchepare trouxe dados do monitoramento realizado em Curitiba, em diversos bairros e áreas especiais, como as regiões da rodoviária e do aeroporto. “É uma cidade com 100% de cobertura de esgoto, por isso uma análise mais completa foi possível, com coletas semanais. Os resultados mostram uma tendência de acompanhamento, com o aumento da concentração de vírus precedendo em cerca de duas semanas os aumentos de casos. Uma análise matemática das medições indicou, portanto, um modelo estatisticamente preditivo. O resultado foi a validação do estudo como ferramenta de alerta precoce de vigilância epidemiológica”, resumiu.

 

Última a usar a palavra, Simone trouxe as impressões do estudo realizado em Foz do Iguaçu e também na Usina de Itaipu. “Dentro da usina conseguimos monitorar os diversos ambientes internos, mapeando como cada área estava. Agora temos uma metodologia, uma padronização e todo esse conhecimento pode ser utilizado para aplicação no enfrentamento de outras doenças, como a dengue, que tem uma incidência forte na região de Foz. A intenção é usar, portanto, essa ferramenta e esses avanços em outras epidemias”, destacou.

O 31º Congresso da ABES, o mais importante evento de saneamento ambiental do Brasil, foi realizado entre os dias 17 a 20 de outubro, em formato híbrido: presencialmente, no Expo Unimed Curitiba, na capital paranaense, e virtualmente, em plataforma digital. Esta edição do encontro teve como tema central “Cidades Inteligentes conectadas com o saneamento e o meio ambiente: desafio dos novos tempos”. Algumas atividades foram abertas ao público e transmitidas pelo canal da ABES no YouTube. Acesse aqui. 

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