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ABES-SP: estudo de caso no município de Ilha Solteira/SP mostra importância de levar mais qualidade sanitária e ambiental para comunidades isoladas

Experiência contou com análise das condições socioeconômicas e sanitárias de um assentamento rural e incentivou a adoção de sistemas de tratamento de água e esgoto mais sustentáveis;

A palestra “Caracterização das Condições Socioeconômicas e Sanitárias de um Assentamento Rural do Município de Ilha Solteira-SP e Proposta de Intervenção”, realizada via Zoom, pela ABES-SP, nesta quinta-feira, 28 de outubro, contou com a participação de Ana Lúcia Brasil, coordenadora geral da Câmara Técnica de Saneamento e Saúde em Comunidades Isoladas ABES-SP; Sônia Maria Nogueira e Silva, coordenadora adjunta da Câmara Técnica de Saneamento e Saúde em Comunidades Isoladas ABES-SP. A apresentação foi feita por Letícia Beatriz de Lima, graduada em Engenharia Civil pela Unesp Ilha Solteira; mestranda em Recursos Hídricos e Tecnologias Ambientais, e pesquisadora na área de tecnologias de tratamento de água e esgoto.

Sônia abriu o evento destacando que apresentações como as de Letícia são oriundas de “caças ao tesouro” feitas em eventos do setor de saneamento. “Conheci o trabalho da Letícia no Encontro Técnico dos Engenheiros da Sabesp, em setembro, e a convidei para mostrar sua experiência em Ilha Solteira e quais os resultados alcançados. Trata-se de um trabalho muito interessante desenvolvido em uma área isolada que vai trazer muitas informações relevantes para nós”, declarou Sônia.

Ana Lúcia Brasil explicou que comunidades isoladas não são isoladas do mundo, mas da infraestrutura pública de água, esgoto e lixo. “Quando tratamos uma comunidade isolada ela pode ser em uma zona urbana, ou uma comunidade rural, ribeirinha ou litorânea. Estamos muito interessados em levantar essas comunidades, que normalmente estão invisíveis nos municípios. Estamos com vários projetos voltados para melhorias socioeconômicas e sanitárias dessas comunidades em diversas regiões de São Paulo”, destacou.

Ana Lúcia comentou que os integrantes da Câmara Técnica de Saneamento e Saúde em Comunidades Isoladas ABES-SP ficaram muito interessados em saber a linha do trabalho da Letícia, como ela fez o levantamento e as propostas de intervenção nessa área. “Assim como nesse caso, estamos aprendendo com outras experiências em todo o Brasil”, informou a especialista.

Na sequência, Letícia contou que o trabalho foi realizado com orientação da profª Dra. Liliane Lazzari Albertin; e co-orientação do Profº Dr. Maurício Augusto Leite. E teve apoio da Prefeitura Municipal de Ilha Solteira, financiamento da Capes, parceria do programa do programa de pós-graduação em Engenharia Civil com o ProfÁgua – Programa de Mestrado Profissional em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos, que possibilitou o apoio técnico e científico da ANA – Agência Nacional de Águas e Saneamento.

Letícia iniciou a palestra explicando o conceito do saneamento básico e mostrou dados sobre o setor no Brasil. “O saneamento é peça fundamental para garantir um direito social. Então, não podemos vê-lo apenas como uma prestação de serviços”, atentou.

A palestrante apresentou um panorama sobre o abastecimento de água e informações que contemplam o esgotamento sanitário nos municípios brasileiros. “A universalização do saneamento no Brasil ainda é um grande desafio”, apontou.

Segundo Letícia, para as áreas que não são atendidas pelo saneamento, chamadas de comunidades isoladas, a situação é mais complexa. Ela deu exemplos de comunidades isoladas, que são regiões afastadas dos centros urbanos, e os motivos que as levam a não serem atendidas pelos sistemas convencionais de abastecimento de água e a coleta e tratamento de esgoto.

“Essas comunidades utilizam alternativas, que são sistemas descentralizados, construídos e operados no próprio local”, comentou a engenheira, mostrando a realidade do saneamento nessas regiões, com grandes riscos de contaminação e prejudiciais à saúde do meio ambiente e dos usuários.

Os objetivos do trabalho, cuja área de estudo foi em Ilha Solteira, com enfoque na zona rural, onde fica o assentamento Estrela da Ilha, envolvem analisar as condições socioeconômicas e sanitárias dessa comunidade isolada e incentivar a adoção de sistemas de tratamento de água e esgoto mais sustentáveis por meio de informações e apoio técnico.

Letícia Beatriz fez um trabalho minucioso através de entrevistas pessoais para caracterização da população por meio de um formulário dividido em quatro partes, que abordaram questões sobre o perfil do entrevistado, abastecimento de água, esgotamento sanitário e a saúde. “O trabalho gerou uma cartilha informativa de educação ambiental para implantação de sistemas sustentáveis de tratamento de água e esgoto, levando em conta viabilidade econômica, operação e manutenção, e a eficiência do tratamento”, detalhou.

Segundo a engenheira civil, a cartilha teve o caráter de valorizar o saneamento inclusivo, com uso de recursos lúdicos para chamar a atenção dos moradores. A cartilha destaca quais são as vantagens socioambientais de usar esses sistemas alternativos e foi distribuída entre os moradores do assentamento rural. “Optamos pela fossa biodigestora, clorador, jardim filtrante e o método Sodis, que usa luz solar. Colocamos algumas informações sobre cada sistema, como são compostos, tipo de tratamentos, alguns benefícios e as formas de manutenção”, mencionou.

Entre as conclusões do projeto, Letícia Beatriz apontou que a precariedade dos sistemas de água e esgoto adotados nesses tipos de comunidades se dá por falta de apoio e informação. “Com esse trabalho, mostramos que é possível desenvolver alternativas sustentáveis em comunidades isoladas. O trabalho despertou a atenção dos moradores, que ficaram interessados em adotar os novos métodos que apresentamos”, mencionou.

Segundo ela, a pesquisa teve continuidade, sendo a sua segunda parte composta pela construção dos sistemas escolhidos para fazer o tratamento de água e esgoto e como foi administrado pelos moradores. “Eles participaram de todo o processo de construção dos sistemas, colocaram as mãos na massa. Isso dá um pouco de senso de responsabilidade em quererem continuar com o que ajudaram a construir e usufruindo dos benefícios”, observa.

Ao final, o espaço foi aberto para perguntas e sugestões com participação dos presentes no chat e Letícia agradeceu à ABES-SP a oportunidade de mostrar seu projeto.

A cartilha vai ficar disponível para download no site da ABES e do Instituto Trata Brasil.

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