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ABES Conecta: especialistas debatem as vertentes que abrangem o reúso de água no Brasil

No evento online realizado nesta quinta (23), os convidados destacaram que a necessidade de iniciativas para implantar o reúso na prática é um dos pontos que vai ajudar o tema a evoluir no país.

Para aproveitar a semente que foi lançada na Brazil Water Week 2022, o mais importante evento internacional sobre água do país, realizada entre os dias 23 e 27 de maio, a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES promoveu nesta quinta-feira, 23 de junho, um webinar sobre Reúso de Água dando continuidade ao debate sobre o tema. O evento aconteceu no ABES Conecta, com transmissão pelo YouTube.

O moderador da discussão, Josivan Cardoso Moreno, coordenador da Câmara Temática de Recursos Hídricos da ABES, ressaltou que este é um tema que interessa a todos e lembrou o papel da ABES na questão, que é reunir profissionais atuantes no assunto para elucidar informações e pontuar ações necessárias para o tema evoluir no Brasil.

Em seguida, ele apresentou os convidados para o webinar: Luiz Pladevall, presidente da ABES-SP; Ana Sílvia Pereira, vice-presidente da ABES-RJ e professora da UERJ – Universidade Estadual do Rio de Janeiro e fundadora do Grupo Água de Reúso; Renato Giani Ramos, coordenador nacional da Câmara Temática de Dessalinização e Reúso da ABES; Sérgio Ayrimoraes, especialista da ANA – Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico; Lívia Soalheiro, gerente de ESG no Grupo Águas do Brasil; e Maycon Rogério, diretor da ABES-SP.

Para iniciar as apresentações, Sérgio Ayrimoraes fez uma provocação indagando por que o reúso é tão importante? Ele fez a demonstração do panorama da segurança hídrica no Brasil, abordando as quatro dimensões acerca do reúso e expôs dados sobre a oferta de água para abastecimento da população, cada vez mais complexa, não somente em São Paulo, mas em diversas cidades do país; a crescente demanda dos múltiplos usos da água e conflitos associados; as crises hídricas recorrentes e os efeitos das alterações do clima; e o controle da poluição e qualidade da água.

Citando alguns dados atualizados do Atlas Águas da ANA, Ayrimoraes lembrou que temos que estar preocupados com a segurança hídrica para o abastecimento urbano das nossas cidades. “Em um cenário de complexidade hídrica, falar de reúso de água é fundamental”, destacou.

Para ele, com base nos estudos e diagnósticos já desenvolvidos em prol do Plano Nacional de Segurança Hídrica (PNSH), o reúso deve ser considerado como uma alternativa de diversificar a matriz hídrica brasileira. “O reúso deve ser visto como parte da estratégia e não como uma estratégia a ser considerada depois que tudo estiver resolvido e universalizado. O reúso é parte do caminho para a garantia das quatro dimensões da segurança hídrica”, salientou.

A professora Ana Sílvia, da UERJ, abordou o cenário atual do reúso no mundo, com destaque para Israel, que conta com 90% do esgoto tratado e representa 40% da demanda de água para irrigação. Ela mostrou questões sobre o futuro e desafios com cinco pontos importantes em torno do conceito do reúso para a cadeia da água em nível nacional; e os aspectos legais que compõem o tema no Brasil.

Na sequência, Luiz Pladevall, presidente da ABES-SP, destacou que o tema sobre reúso ainda é uma barreira no Brasil em termos de visão dos gestores e da própria cultura da população. “Temos várias formas de reúso e elas precisam entrar, hoje, na discussão do planejamento principalmente pelas dificuldades da segurança hídrica em regiões do país”, observou.

Pladevall destacou que a segurança hídrica faz correlação com a segurança financeira também. “Se não tivermos uma alternativa para esses riscos que estão vindos em decorrência, principalmente das mudanças climáticas, que já estão afetando a segurança hídrica, corremos o risco de insolvência em uma região extremamente rica como é São Paulo e em todo o país porque o impacto é em cadeia”, alertou.

Por isso, o presidente da ABES-SP considera extremamente importante falar sobre reúso e trazer outras questões para o debate, como a legislação que ele considera um dos grandes desafios para o setor. “Temos que olhar para questões como essas, com vistas a estruturar as legislações, pois temos desafios enormes, por exemplo, para atingir a universalização”, avaliou.  Ele acrescentou a importância do acompanhamento da evolução das questões hídricas e que os planejamentos em prol da segurança hídrica devem estar integrados.

Em sua abordagem, Renato Giani começou lembrando sobre o saudoso professor Ivanildo Hespanhol, da USP, um dos precursores do reúso no Brasil, e pontuou algumas questões relevantes sobre o tema. Na visão dele, o Brasil está ficando para trás em termos de reúso por conta da dificuldade de implementação. “A Europa era fraca em reúso, mas hoje cresce em torno de 10% ao ano. Além disso, o reúso cresce 13.8% ao ano no mundo. Hoje, é um mercado de US$ 20 bilhões. E no Brasil, para se ter uma ideia, ainda são poucas as concessionárias públicas que trabalham com reúso e temos menos ainda quais são as que vendem água de reúso”, frisou ele, entre outras considerações.

O especialista destacou sobre os incentivos fiscais no tratamento de efluentes como solução para contribuir com o tema. “Este modelo precisa de oferta e demanda”, exemplificou. Para Renato, tecnologia não é problema, é a solução. “Quem está falando que é caro está olhando 10 anos atrás”, assinalou. Outro aspecto importante é a qualidade. “Quem define qualidade não é a regulação, ela é definida pelo usuário final. Portanto, precisamos criar um modelo de negócio para avançar nessa área do reúso no Brasil”, apontou também.

Em sua palestra, Lívia Soalheiro, da Águas do Brasil, chamou a atenção para o fato de que no uso eficiente da água o reúso soma bastante para os avanços nesse processo. “E vale lembrar também que quando coloco todo o complexo que existe para trabalhar na gestão dos recursos hídricos estou pensando em dar o uso mais eficiente para esse recurso que captei da natureza”, enfatizou.

Lívia informou que não devemos falar de uma mudança de cultura só da sociedade, mas também dos governantes, de quem formula as políticas públicas. “O reúso pode vir de diversas formas tanto por empresas estatais quanto privadas ou por parcerias público-privadas. Portanto, precisamos perpassar por essa mudança de cultura também dos nossos gestores, para que eles entendam que o reúso é uma prática que deve ser adotada, não só por necessidade de proteção do meio ambiente, mas por questão de responsabilidade para com a população no fornecimento de água”, atentou.

A especialista destacou informações em relação à segurança jurídica, com exemplos de como a política estadual de reúso foi conduzida no Rio de Janeiro e destacou que a água de reúso deve acompanhar a sua vocação local.

Para finalizar o webinar, Maycon Rogério evidenciou a pluralidade da discussão no webinar com base nas diversas experiências apresentadas acerca do reúso. O executivo tratou sobre o operador, que fica no fogo cruzado e é cobrado sobre questões que não tem muito que fazer na sua dinâmica de atuação. Sua apresentação abordou a questão da Região Metropolitana de São Paulo, que tem duas questões fundamentais, sendo a primeira a de que deve ter um olhar do reúso como segurança hídrica, por se tratar de uma região que naturalmente sofre com a escassez hídrica, principalmente pela ocorrência dos eventos extremos. “Essa é uma questão que deve ser tratada sob o ponto de vista da política pública e não jogando nas costas das empresas de saneamento”, alertou.

Outro ponto frisado por Maycon foi o mercado na RMSP, que muitas vezes esbarra na questão financeira. “Ainda temos um impacto na questão financeira, que muitas vezes é difícil fechar a conta do projeto”, destacou. Ele usou o projeto Aquapolo como exemplo bem-sucedido de modelo de negócio que viabiliza a água de reúso. “Trata-se de um tema extremamente complexo que precisa ser debatido sob os seus vários pontos de vista, para possibilitar a viabilização dos projetos de água de reúso, sobretudo, de acordo com as especificidades de cada região brasileira”, concluiu.

O webinar foi finalizado com a sessão de debates. A transmissão foi realizada pelo canal ABES Saneamento no YouTube, clique aqui para assistir. 

ABES Conecta  

Sucesso de realização da ABES, o programa ABES Conecta disponibiliza conteúdo qualificado em webinares gratuitos e cursos pagos sobre os temas mais relevantes do setor de saneamento e meio ambiente. Já são mais de 400 mil visualizações nas transmissões.  

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