A escassez de ácido fluossilícico, insumo utilizado na fluoretação da água de abastecimento, acendeu um alerta no setor de saneamento. A paralisação de unidades industriais provocou aumento dos prazos de entrega, alta de preços e redução dos estoques disponíveis entre os prestadores.
Diante desse cenário, a ABES, por meio da Câmara Temática de Saúde Ambiental,
publicou uma Nota Técnica Orientativa para apoiar os serviços de abastecimento na condução de situações de indisponibilidade temporária do insumo. O documento reforça que uma eventual interrupção da fluoretação deve ocorrer apenas quando houver falta comprovada de produto adequado e certificado, e não por decisão voluntária do prestador.
A orientação é que os prestadores registrem a situação dos estoques, documentem as tentativas de aquisição, comuniquem formalmente a Vigilância Sanitária, a agência reguladora e o titular dos serviços e informem a população de forma clara e sem alarmismo.
A Nota também traz instrumentos práticos, como modelos de comunicação, fichas de acompanhamento e checklist para a retomada segura da fluoretação, incluindo verificação do produto recebido, recalibração dos equipamentos e reforço do monitoramento da concentração de fluoreto na água distribuída.
Um ponto importante destacado pela ABES é que a interrupção temporária da adição de fluoreto, isoladamente, não significa perda da potabilidade da água, desde que os demais parâmetros de qualidade continuem sendo atendidos. A fluoretação, no entanto, deve ser retomada assim que o fornecimento do insumo for normalizado.
Por que isso importa?
A fluoretação é uma medida de saúde pública voltada à prevenção da cárie dentária. Ao publicar a Nota, a ABES busca dar respaldo técnico aos prestadores, orientar a comunicação com autoridades e usuários e garantir que a resposta à escassez seja organizada, documentada e segura.