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ABES encerra participação no Congresso Mundial da IWA em Glasgow com protagonismo brasileiro e foco em São Paulo 2030

Delegação brasileira teve participação recorde no IWA World Water Congress & Exhibition 2026; agenda da Associação reuniu articulação institucional, inovação, economia circular e preparação para o Congresso Mundial que será realizado no Brasil

A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES) encerrou sua participação no IWA World Water Congress & Exhibition 2026, realizado de 4 a 8 de outubro, em Glasgow, na Escócia, com uma ampla agenda institucional e técnica e o início de uma nova etapa de mobilização internacional para a edição de 2030, que será realizada em São Paulo.

Um dos destaques desta edição foi a presença brasileira. Mais de 50 profissionais do país participaram do Congresso, número recorde de participação do Brasil, segundo informação da International Water Association (IWA) repassada à ABES. A presença expressiva reforça a crescente inserção do saneamento brasileiro nos principais fóruns internacionais dedicados à água, inovação, sustentabilidade e resiliência.

O Congresso Mundial da IWA é um dos principais encontros globais do setor e reuniu, em Glasgow, profissionais de empresas de saneamento, pesquisadores, formuladores de políticas públicas, reguladores, fornecedores de tecnologia e lideranças internacionais. Sob o tema “Water action – the path to resilience and prosperity”, a programação promoveu debates sobre os desafios atuais e futuros da gestão da água e do saneamento.

Para a presidente nacional da ABES, Juliana Almeida Dutra, a participação brasileira em Glasgow mostrou a capacidade do país de contribuir de maneira cada vez mais ativa para a agenda internacional do setor.

“Glasgow mostrou que o Brasil tem conhecimento, experiências e profissionais capazes de contribuir com os grandes debates internacionais sobre água e saneamento. Ao mesmo tempo, iniciamos aqui um novo ciclo de mobilização para 2030. Receber o Congresso Mundial da IWA em São Paulo será uma oportunidade de mostrar ao mundo nossas soluções e nossos desafios e, principalmente, de aproximar ainda mais o setor brasileiro da comunidade internacional”, afirma Juliana.

De Glasgow a São Paulo 2030

A preparação para o IWA World Water Congress & Exhibition 2030, que será realizado em São Paulo, ocupou lugar central na agenda da ABES em Glasgow.

Durante o Congresso, a presidente nacional da ABES, Juliana Almeida Dutra, e o ex-presidente nacional da entidade Marcel Sanches participaram, no estande da IWA, de uma apresentação dedicada à edição brasileira.

A atividade reuniu ainda integrantes da delegação da ABES, entre eles Marisa de Oliveira Guimarães, Alceu Guérios Bittencourt, Gustavo Rafael Collere Possetti, Mara Regina Samersatto Ramos e Vitor Carvalho Queiroz, presidente da ABES-MG, além de representantes do JPS, reforçando a mobilização de diferentes instâncias e gerações de profissionais da Associação em torno do Congresso de 2030.

O encontro permitiu apresentar a futura edição brasileira à comunidade internacional e ampliar a interlocução com profissionais e instituições que deverão participar da construção do Congresso nos próximos quatro anos.

A mobilização para 2030 também esteve presente nas diferentes articulações realizadas ao longo da semana, fortalecendo São Paulo como próximo grande ponto de encontro entre a comunidade brasileira e a rede internacional da IWA.

A expectativa da ABES é que essa trajetória envolva progressivamente suas Seções Estaduais, Câmaras Temáticas, associados, empresas de saneamento, universidades, centros de pesquisa, órgãos públicos e demais instituições do setor.

ABES nos espaços de governança internacional

A participação da Associação começou antes mesmo da abertura oficial do Congresso.
Em 3 de outubro, Marcel Sanches, Marisa de Oliveira Guimarães e Alceu Guérios Bittencourt participaram da Governing Assembly da IWA, espaço de discussão sobre governança e os rumos estratégicos da entidade internacional.

No mesmo dia, Juliana Almeida Dutra, Marcel Sanches e Mara Regina Samersatto Ramos participaram do Presidents’ Dinner, encontro reservado a representantes e convidados dos Governing Members da IWA.

A agenda teve um significado especial para a participação brasileira: Mara Regina Samersatto Ramos foi agraciada com o título de Fellow da IWA, reconhecimento concedido pela International Water Association a profissionais de destaque por sua trajetória e contribuição ao setor de água e saneamento.

No dia 4, Marisa de Oliveira Guimarães e Alceu Guérios Bittencourt participaram também do GM Summit and Lunch, dedicado ao diálogo entre os Governing Members sobre desafios e prioridades estratégicas da associação.

A presença nesses fóruns integra o trabalho da ABES de ampliar sua participação nas redes internacionais e aproximar as agendas globais das discussões desenvolvidas no Brasil.

Inovação e transformação digital

A programação técnica também contou com participação direta da presidente da ABES.
Juliana Almeida Dutra atuou como co-chair da sessão “Digital Tools & Uncertainty in Modern Water and Wastewater Management”, dedicada ao papel das ferramentas digitais na gestão dos sistemas de água e esgoto.

O debate reuniu experiências relacionadas à utilização de dados, inteligência artificial, modelos digitais e novas ferramentas de apoio à decisão em um cenário marcado por maior complexidade e incerteza.
“A transformação digital não é mais uma perspectiva distante para o saneamento. Ela já está presente na operação dos sistemas e abre novas possibilidades para antecipar riscos, melhorar decisões e utilizar os recursos de forma mais eficiente. Participar dessas discussões é também uma forma de aproximar essas experiências dos profissionais e instituições brasileiras”, destaca Juliana.

Presença técnica brasileira no Congresso

A atuação de Gustavo Rafael Collere Possetti, coordenador nacional da Câmara Temática de Tratamento de Esgotos da ABES, membro da Diretoria da ABES-PR e Head de Pesquisa e Inovação da Sanepar, foi outro destaque da participação brasileira.
Possetti integrou uma ampla agenda técnica, científica e institucional durante o Congresso. Além de sua atuação pela ABES, ele é Co-Chair Global do IWA Resource Recovery Cluster, posição a partir da qual participa das discussões internacionais relacionadas à recuperação de recursos, economia circular, inovação e transformação dos sistemas de tratamento de águas residuárias.

Em Glasgow, Possetti atuou como Co-Chair da sessão técnica “Transforming Water Futures Through Innovation”, conduzindo apresentações científicas e debates sobre tecnologias emergentes, inovação e novas abordagens para os desafios atuais e futuros dos serviços de água e saneamento.

Como Co-Chair do IWA Resource Recovery Cluster, participou ainda da condução da reunião aberta do grupo e das discussões sobre suas prioridades estratégicas. O Cluster trabalha para aproximar ciência, empresas de saneamento, indústria, inovação e usuários de recursos recuperados, com foco na transformação do conhecimento em aplicações práticas e geração de valor.

Entre as iniciativas apresentadas em Glasgow estiveram os Resource Recovery Trays, duas bandejas itinerantes utilizadas para mostrar aos participantes produtos reais obtidos por meio da recuperação de recursos. Entre os exemplos estavam fertilizantes recuperados, cosméticos produzidos com minerais provenientes de águas residuárias e outros produtos capazes de demonstrar, na prática, as possibilidades da economia circular aplicada ao saneamento.

Possetti também participou do workshop internacional “Transforming Wastewater Treatment Plants Into Biorefineries – Collaborating For A Greener, More Sustainable Future”, que discutiu caminhos para transformar estações de tratamento de esgoto em estruturas capazes não apenas de tratar efluentes, mas também de recuperar recursos e gerar valor a partir das águas residuárias.

A agenda incluiu ainda articulações com representantes da IWA Latin America and Caribbean, com o Board da IWA e com outras redes internacionais, buscando ampliar as oportunidades de intercâmbio técnico, científico e institucional para profissionais e organizações brasileiras.

Possetti integra ainda o Advisory Group do IWA Global Utilities Summit 2027, que será realizado em Hong Kong, contribuindo para as discussões estratégicas e a preparação do encontro internacional de lideranças de empresas de água e saneamento.

Economia circular e recuperação de recursos

A recuperação de recursos e a economia circular tiveram presença importante na agenda de Glasgow e deverão permanecer entre os temas estratégicos da participação brasileira nos fóruns internacionais.
A discussão parte de uma mudança na forma de enxergar os sistemas de tratamento: além da função ambiental e sanitária tradicional, estações de tratamento podem se tornar espaços para recuperação de água, nutrientes, energia e outros recursos, aproximando o saneamento dos princípios da economia circular.

A atuação brasileira nesses debates contribui para conectar pesquisas, tecnologias e experiências internacionais às necessidades e oportunidades existentes no país.

Durante o Congresso, também avançou a mobilização para a 7ª IWA Resource Recovery Conference – Bringing Circular Value Chains to Life, que será realizada de 7 a 11 de junho de 2027, em Santiago de Compostela, na Espanha. A articulação busca estimular também a participação de pesquisadores, empresas, profissionais e instituições brasileiras no encontro.

Uma agenda internacional até 2030

O encerramento do Congresso de Glasgow marca, para a ABES, menos o fim de uma agenda do que o início de uma trajetória até 2030.

Nos próximos quatro anos, a Associação pretende intensificar o relacionamento com a IWA e outras organizações internacionais, ampliar a participação dos profissionais brasileiros nas redes globais e mobilizar o setor para a realização do Congresso Mundial em São Paulo.

Temas como universalização do saneamento, segurança hídrica, adaptação climática, redução de perdas, reúso, tratamento de esgotos, recuperação de recursos, economia circular, inovação e transformação digital deverão ocupar espaço crescente nessa articulação.

“Temos quatro anos para construir não apenas um grande evento, mas uma presença brasileira ainda mais forte na agenda internacional da água. Queremos chegar a 2030 com um setor mobilizado, conectado e preparado para compartilhar o que o Brasil tem desenvolvido e também para aprender com as melhores experiências do mundo”, conclui Juliana Almeida Dutra.