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Representante da DIRSA Equador participa do I Painel Internacional de Resíduos Sólidos

Francisco De La Torre vai falar sobre as medidas adotadas no setor em meio à pandemia, tanto no país quanto na cidade de Quito.

Por Jéssica Marques

O representante da DIRSA – Equador, Francisco De La Torre, vai participar do I Painel Internacional de Resíduos Sólidos. O evento será realizado online de 16 a 18 de março de 2021.

O painel integra o 14º Seminário Nacional de Resíduos Sólidos da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES, realizado em parceria com a DIRSA, que é a Divisão de Resíduos Sólidos da Associação Interamericana de Engenharia Sanitária e Ambiental – AIDIS.

As inscrições podem ser feitas no site do evento (acesse aqui). Na ocasião, os palestrantes abordarão o impacto da covid-19 no setor de resíduos sólidos na região da América Latina e Caribe, trazendo experiências e medidas aplicadas em relação à geração, coleta e tratamento de resíduos, regulação dos serviços, impacto na saúde dos trabalhadores do segmento e as consequências do processo na sociedade.

Durante o painel, Francisco De La Torre vai falar sobre as medidas adotadas e o impacto da pandemia nos sistemas de gerenciamento de resíduos de Quito, capital do Equador, e do país, de modo geral. Além disso, o palestrante vai abordar as experiências de sucesso no setor na região.

A apresentação será feita em conjunto com Lenin Villalba, membro da Associação Equatoriana de Engenharia Sanitária e Ambiental – AEISA, uma subsidiária da AIDIS (leia entrevista aqui).

Francisco é engenheiro civil, com mestrado em Engenharia Ambiental e pós-graduação em valorização de resíduos sólidos. Possui mais de 30 anos de experiência no desenvolvimento de estudos e gestão de projetos ambientais, principalmente em projetos de Gestão Integral de Resíduos Sólidos Urbanos e Industriais. Atualmente, trabalha como consultor independente para diferentes instituições do Governo do Equador, municípios, ONGs, organizações multilaterais e empresas privadas.

Ao Portal da ABES, o engenheiro falou sobre as expectativas de participar do evento e detalhou o sistema de gerenciamento de resíduos sólidos de Quito. Confira a entrevista com Francisco, na íntegra:

ABES Notícias – Quais são as suas expectativas em participar do I Painel Internacional de Resíduos Sólidos?

Francisco De La Torre – Encontrar especialistas da região que nos permitam criar redes de troca de conhecimento, assim como ter referências que nos possam apoiar na resolução de questões específicas nos serviços de gerenciamento de resíduos sólidos.

ABES Notícias – Em sua opinião, qual é a importância da realização deste evento?

Francisco De La Torre – A troca de experiências que têm sido eficazes para minimizar os efeitos da pandemia na coleta, tratamento e disposição dos resíduos sólidos urbanos em diferentes países e cidades, que podem ser aplicáveis em nossa região.

ABES Notícias – Que contribuições você trará com sua participação e o que você busca aprender para levar ao seu país como experiência?

Francisco De La Torre – Relatar as medidas tomadas e o impacto da pandemia nos sistemas de gerenciamento de resíduos da cidade de Quito. Também pretendemos conhecer outras experiências bem sucedidas em cidades da região, o que nos permitirá otimizar os serviços.

ABES Notícias – Como são geridos os resíduos sólidos em Quito?

Francisco De La Torre – O gerenciamento de resíduos sólidos no Distrito Metropolitano de Quito, DMQ, está a cargo de duas empresas municipais, uma específica para o sistema de limpeza e coleta, e outra dedicada aos serviços de transferência, transporte, tratamento e disposição final. Por outro lado, a Secretaria do Meio Ambiente é a autoridade governante da gestão ambiental integrada no DMQ e, como tal, determina políticas, estratégias, diretrizes, normas e exerce o controle dos serviços.

ABES Notícias – Quais são as experiências mais bem sucedidas no setor de resíduos sólidos na cidade?

Francisco De La Torre – Uma das experiências de maior sucesso no gerenciamento de resíduos na cidade de Quito são os Centros de Educação e Gestão Ambiental (CEGAM), onde os materiais recicláveis são coletados e vendidos por gestores ambientais (recicladores) que fazem parte de associações que trabalham com base na economia popular e solidária. O material é coletado sob a modalidade “pé de calçada” (tradução livre do espanhol, “pie de vereda”) pelos gerentes ambientais apoiados por um caminhão da empresa municipal, que também os apoiam no processo de comercialização dos materiais.

Uma média de 145 toneladas de material é comercializada mensalmente entre os quatro CEGAMs. Esta iniciativa, que está em funcionamento há aproximadamente 5 anos, beneficiou 111 famílias de gestores ambientais.

ABES Notícias – De modo geral, o que poderia ser feito para melhorar o sistema de resíduos sólidos do município, em sua avaliação?

Francisco De La Torre – Para melhorar a gerenciamento de resíduos na cidade, devemos começar unificando a responsabilidade em uma única empresa municipal, a fim de otimizar seus recursos e buscar uma maior participação do setor privado nos diferentes serviços.

ABES Notícias – Qual foi o impacto da pandemia do coronavírus no gerenciamento de resíduos sólidos na capital?

Francisco De La Torre – Em geral, houve uma diminuição na quantidade de resíduos sólidos urbanos coletados, principalmente em resíduos recicláveis, devido ao risco de os coletores serem infectados pela covid-19, principalmente durante os meses de restrições de mobilidade que ocorreram na cidade de Quito.

ABES Notícias – Quais foram as principais medidas adotadas neste período no que diz respeito à geração, coleta e tratamento de resíduos?

Francisco De La Torre – Foram estabelecidos protocolos de biossegurança, com o objetivo de preservar a saúde dos trabalhadores do serviço de coleta de resíduos sólidos, focados principalmente em dar instruções às pessoas que estavam em casa doentes, nestes casos, foi recomendado que seus resíduos fossem colocados em sacos duplos e que fossem desinfetados de antemão.

Além do fornecimento de equipamentos de biossegurança, como máscaras e luvas, os protocolos também estabeleceram a exigência de que os funcionários fizessem periodicamente o teste de covid-19. Assim, os trabalhadores infectados foram encaminhados para tratamento no sistema de saúde da Previdência Social, ao qual estão afiliados.

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