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31º Congresso da ABES: “Sem saneamento não teremos cidades inteligentes ou uma sociedade sadia”, afirma o presidente da Sanepar em sua palestra magna

O diretor-presidente da Sanepar, Claudio Stabile, apontou questões importantes que afeta toda a sociedade no que concerne aos desafios, perspectivas e oportunidades do saneamento no Brasil.

Por Equipe de Comunicação ABES

O segundo dia de trabalhos do 31º Congresso da ABES, o mais importante evento de saneamento e meio ambiente do Brasil, foi aberto, na terça-feira, dia 19 de outubro, com a apresentação da palestra magna ministrada por Claudio Stabile, diretor-presidente da Sanepar – Companhia de Saneamento do Paraná, tendo como seu anfitrião, Mario Cezar Guerino, vice-presidente nacional da ABES. Em sintonia com o tema central desta edição do congresso “Cidades Inteligentes Conectadas com o Saneamento e Meio Ambiente – Desafios dos Novos Tempos”, Stabile abordou questões importantes que afetam toda a sociedade no que concerne aos desafios, perspectivas e oportunidades do saneamento no Brasil.  Confira o álbum de fotos (oficial) aqui e do público aqui.

O presidente da Sanepar iniciou sua palestra propondo duas provocações ao público: “vocês conhecem alguma cidade inteligente sem saneamento básico? Ou conhece alguma comunidade ou uma sociedade sadia sem saneamento básico? Reflitam”, solicitou. O diretor-presidente da Sanepar deu prosseguimento à conferência fazendo um histórico sobre a companhia, no qual destacou a missão e o montante de investimentos efetuados no ciclo 2016-2020 em prol do saneamento ambiental no Estado do Paraná. “Nós, que atuamos no setor de saneamento, somos promotores de saúde pública e preventiva”, destacou.

Cuidar da qualidade da água e da saúde dos paranaenses é parte das ações que a companhia desenvolve com vistas a possibilitar o desenvolvimento de cidades inteligentes com pessoas sadias. Stabile ressaltou que entre os grandes desafios atuais para o setor, mas que também representa grandes oportunidades, está o atendimento ao novo marco legal do saneamento, que impõem como metas até 2033 a universalização dos serviços de água e esgotamento sanitário. “No tocante à água potável, a Sanepar já tem esse serviço universalizado. Porém, precisamos avançar ainda no que refere ao esgoto. Estamos próximos de atingir 80% da cobertura da coleta de esgoto. De tudo que coletamos no Estado, 100% é tratado, mas temos que avançar também na questão do esgotamento sanitário e da água, que mesmo universalizada, é uma situação em que devemos sempre estar trabalhando para acompanhar as dinâmicas da sociedade”, destacou.

Importância da regionalização

Para o diretor-presidente da Sanepar, a possibilidade de regionalização dos serviços de saneamento também é um ponto importante que o novo marco legal do saneamento trouxe para as companhias do setor. O palestrante mostrou dados que perfazem as ações da Sanepar no estado paranaense para construção de sistemas sustentáveis de esgotamento sanitário em municípios de pequeno porte, por exemplo, com volume de investimentos de R$ 74 milhões. “Parcerias com entidades públicas e privadas nacionais e internacionais são imprescindíveis para levar esses projetos adiante”, citou Stabile, usando como exemplo a cooperação bem-sucedida com a Itaipu.

Sobre os possíveis gargalos, o executivo destacou o desenvolvimento de processos de esgotamento sanitário para atendimento aos pequenos municípios, muito dos quais são áreas de preservação ambiental e, portanto, demandam o planejamento e execução de projetos especiais para atender a população e os ecossistemas. “Estamos avançando bem nesses projetos e logo teremos bons frutos para apresentar à todas as companhias parceiras”, informou.

Entre todos os desafios ambientais para o saneamento, Stabile considera que as mudanças climáticas estão entre os principais. “Elas chegaram e podemos reverter seus danos, depende de nós, e, principalmente das companhias de saneamento do Brasil, que agora, certamente, atrairão um olhar diferenciado da sociedade. Depois de passar por essa pandemia, a pior do século 21 até o momento, que também é algo extremo, talvez o saneamento seja visto de forma diferente”, observou.

Nesse sentido, o executivo explicou que as companhias de saneamento estão fazendo sua parte. “A Sanepar é atenta ao tripé da sustentabilidade, aos ODS da ONU e aos critérios ESG, mas não basta isso constar somente em discurso, temos que colocar na prática!”, pontuou, lembrando que o maior ativo das empresas não são os patrimônios, mas os colaboradores.

O enfrentamento à crise de escassez hídrica no estado do Paraná, considerada uma das mais severas nos últimos 90 anos, foi um dos destaques da palestra.  “Como investir pensando em 50, 80, 100 anos? É muito tempo, em última análise quem paga essa conta é a população, então temos que ter muita cautela nos investimentos”, disse.

O executivo contou que, assim que foram identificadas as anomalias climáticas no Paraná, a Sanepar agiu para criar protocolos baseados em cenários. E à medida que cada cenário se concretizava aplicavam as ações correspondentes, somando mais de 20 iniciativas implementadas. “Usando um ditado antigo, tiramos `água de pedra´ e fizemos chover, buscando água em cavas, em pedreiras, criação de nuvens de chuva, transposição de rios, com muito êxito”, comentou.

Além de todas essas ações, para Stabile, o que mais surtiu efeito foi o engajamento da população. “Ela entendeu o momento de crise, mesmo diante da pandemia, quando precisou de muita água, por causa da higienização, e atendeu ao nosso programa, o Meta 20, que consiste em um pedido para que seja economizado pelo menos 20% do consumo de água habitual”, explicou.

Legado do saneamento

Stabile destacou ainda a importância do uso da inovação para promover a saúde das pessoas. “A inovação deve permear a companhia como um todo. Ela tem que ser estanque, mas estar presente no dia a dia. Devemos incentivar que os nossos colaboradores inovem seja nos processos administrativos, seja nos processos operacionais, a inovação tem um papel extremamente importante”, salientou e, acrescentou: “algo tão importante quanto inovar é a ciência aplicada. Uma vez aplicada a ciência, a inovação gera valor e isso faz sentido para a sociedade”.

Dentre os exemplos de apoio à inovação, ele destacou o Sanepar Startups, projeto que olha para a inovação aberta no setor de saneamento ambiental, proporcionando a seleção e aceleração de soluções tecnológicas sustentáveis e inovadoras.

“Trabalhamos sempre no presente, portanto não podemos deixar de olhar para o futuro. Isso consiste em construir um legado. É a nossa responsabilidade deixar um ambiente propício para que as próximas gerações prosperem com saúde, com saneamento universalizado, mas sem esquecermos do meio ambiente ecologicamente equilibrado”, avaliou Stabile.

Para finalizar, Stabile voltou às indagações que fez no início da palestra e respondeu que sem saneamento não teremos cidades inteligentes ou uma sociedade sadia. “A nossa responsabilidade é de levar saúde as pessoas e prevenir doenças. Estamos passando ainda pelo pior mal do século, com 600 mil pessoas mortas só no Brasil, quando propiciamos saúde para as pessoas propiciamos também a felicidade e isso não tem preço, não está na tarifa de cobrança dos serviços de saneamento”, expressou.

Ao retomar a palavra, Mario Cezar Guerino parabenizou Stabile e frisou que suas colocações estão em sintonia com o lema do congresso: “esta 31ª edição do Congresso da ABES traz a questão de cidades inteligentes interligadas ao saneamento e meio ambiente e essa palestra tocou em um ponto-chave para conseguirmos atingir nossos objetivos, que é através da inovação”, concluiu.

O 31º Congresso da ABES, o mais importante evento de saneamento ambiental do Brasil, aconteceu de 17 a 20 de outubro no formato híbrido: presencial, no Expo Unimed, em Curitiba, no Paraná, e virtualmente, em plataforma digital. Algumas atividades foram abertas ao público e transmitidas pelo canal da ABES no YouTube. Acesse aqui.

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