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Presidente da ABES-SP participa do Infra Leaders, programa internacional intensivo para lideranças de infraestrutura 

Iniciativa da Sociologia e Política – Escola de Humanidades, por meio dos programas de MBA em PPP e Concessões e MBA Saneamento Ambiental, conta com apoio da seção SP da ABES e acontece até sexta (13), no Hotel Intercontinental, na capital paulista. Fotos: Flavio Florido

Nesta segunda-feira, 9 de maio, teve início em São Paulo, o Infra Leaders, programa internacional intensivo voltado para líderes do setor de infraestrutura, promovido pela Sociologia e Política – Escola de Humanidades, por meio dos programas de MBA em PPP e Concessões e MBA Saneamento Ambiental. A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental Seção São Paulo (ABES-SP) é uma das apoiadoras da iniciativa e foi representada por seu presidente, Luiz Pladevall, na abertura do curso, juntamente com os coordenadores do Infra Leaders, Carlos Nascimento e Rafael Castilho, que apresentaram o programa.

A semana intensiva acontece no Hotel Intercontinental, na capital, até sexta-feira (13), reunindo os mais destacados especialistas do Brasil e de outros países estarão reunidos para identificar os requisitos críticos de liderança necessários para implementar efetivamente programas e projetos de infraestrutura ambiciosos, especialmente na área de saneamento ambiental.

Em sua participação, Luiz Pladevall falou ao público sobre a ABES, a mais atuante a entidade do setor de saneamento, destacando que a instituição “preza pela difusão do conhecimento e, por isso, tem parceria e apoio institucional com a Sociologia e Política – Escola de Humanidades desde o início do MBA Saneamento Ambiental”.

Pladevall comentou que ainda há muito que precisa ser feito no saneamento e infraestrutura, mas enalteceu a oportunidade, devido ao curso, do contato direto com profissionais internacionais que compartilham as “experiências de sucesso e insucesso” em prol do aprimoramento brasileiro. “Hoje estamos envolvidos com as mudanças climáticas, que impactam diretamente em toda a infraestrutura implantada e a implantar. Como prever as mudanças climáticas, a falta de recursos para podermos cumprir contratos de longo prazo? Esse é um desafio muito grande, e essa formação de líderes é essencial para desenvolver esse olhar”, frisou o presidente da ABES-SP.

Na ocasião, Carlos Nascimento apresentou a estrutura e proposta do intensivo, destacando que o programa segue o ciclo do projeto de infraestrutura; ou seja, a programação começa com questões relacionadas ao planejamento e, em seguida, passa por questões relacionadas à preparação, implementação e monitoramento de projetos. O último dia pretende reunir tudo e explorar com mais detalhes sua relevância específica para a situação do Brasil.

Para Carlos, formar líderes do setor significa, primeiro, formar “profissionais capazes de enxergar fora da caixa” e esse programa proporciona que esse profissional conheça “experiências internacionais de sucesso, de fracasso e possa olhar para isso” e aprender com os casos.

Rafael Castilho destacou a história da modernidade brasileira, muito baseada em experiências europeias que nem sempre funcionam na realidade brasileira. “Nós modernizamos o país, mas sem realizar as transformações estruturais que seriam necessárias em diversos pontos do nosso desenvolvimento. O saneamento é um bom exemplo de como nos deparamos com isso no nosso dia a dia, que a nossa modernização tem que conviver também com alguns atrasos, com algumas dificuldades estruturais da nossa formação social, política e econômica”, afirmou. “Será que as mesmas condições que são postas para o desenvolvimento da infraestrutura de países da Europa são as mesmas condições que interferem no caso brasileiro?”, a pergunta feita por ele é uma das questões a serem discutidas durante o curso.

Cenário Mundial

Nesta segunda-feira (9), as palestras foram focadas na fase de planejamento, tratando do contexto global em mudança para grandes projetos e a necessidade de desenvolver um ambiente propício, apresentando uma visão geral dos desafios atuais e explorando como podem impactar o Brasil.

O primeiro convidado do dia foi Julius Sen, associado do Centro de Risco Sistêmico da London School of Economics and Political Science (LSE) e especialista em comércio, desenvolvimento e formulação de políticas econômicas, especialmente para economias emergentes. O trabalho atual de Sean examina a forma como os riscos novos e emergentes podem impactar a atividade econômica e social de diversas maneiras e em diferentes países, considerando também como as novas obrigações regulatórias, especialmente em sustentabilidade e mudanças climáticas, irão remodelar o ambiente de negócios. A sessão teve como tema o cenário de conflito entre EUA e China e a guerra entre Rússia e Ucrânia, destacando como podem afetar a política, o financiamento e a infraestrutura.

“Hoje é dia nove de maio, dia em que os russos celebram a vitória sobre a Alemanha na Segunda Guerra Mundial e nos dá a oportunidade de pensar e falar sobre as implicações mais vastas do confronto -ou guerra- entre Rússia e Ucrânia. Destaco esses dois conflitos, mas a crise no mundo não está confinada apenas neles; Afeganistão, Iraque, Síria, Taiwan, Coreia do Norte, Etiópia, Sudão, Iêmen… Metade do mundo está sofrendo, de uma forma ou de outra, uma crise profunda. E o que temos de considerar é como estas crises poderiam refletir aqui no Brasil, através da economia brasileira”, explica Sen.

Julius Sen também refletiu sobre a necessidade de cooperação política para uma agenda de sustentabilidade eficaz, citando o fato de o Brasil ter ficado em evidência no mundo pela grande destruição da Amazônia. “A agenda da sustentabilidade é a transformação; tudo o que fazemos tem que mudar”, afirma, questionando também como essa transformação global poderia acontecer enquanto grandes potências continuam em uma profunda hostilidade. Assista aqui à entrevista com Julius Sen.

PPPs: considerações políticas e fiscais

A segunda sessão do dia teve como tema as considerações políticas e fiscais na escolha de parcerias público-privadas (PPPs) para promover o crescimento econômico e o desenvolvimento de infraestrutura, apresentada por Alexander Galetovic, professor pesquisador da Stanford University e Hoover Institution. Em conjunto com Eduardo Engel e Ronald Fischer, Galetov inventou o leilão de menor receita, usado rotineiramente por governos para adquirir infraestrutura. Com cerca de vinte anos de experiência em PPPs, seu trabalho está resumido no livro “The Economics of Public Private Partnerships: A Basic Guide”, publicado pela Cambridge University Press em 2014.

Em sua apresentação, ele discutiu a eficiência do formato organizacional das PPPs, como e porque devem ou não ser usadas. A aula tratou do tema da contratação em regime de prestação pública; da questão dos baixos incentivos para o fornecimento público de infraestrutura e as consequências disso; a estrutura da contratação em parceria público-privada e a sua promessa de eficiência produtiva.

“O controle privado estimula a eficiência intertemporal e o corte de custos, mas pode produzir baixa qualidade”, diz o professor, destacando que é preciso haver um monitoramento eficaz da qualidade do serviço.  Ele também falou sobre como as manobras fiscais talvez sejam a maior ameaça às PPPs, lembrando que esse tipo de contrato não libera verbas públicas e que “sem a contabilidade adequada, as PPPs são veículos fora do orçamento e fora do balanço”, que podem ser usadas para “antecipar gastos e escapar das restrições fiscais”. “As PPPs devem superar exatamente os mesmos obstáculos de custo-benefício que projetos públicos, e seu impacto no orçamento público é muito semelhante ao da provisão pública”, explicou.

Regulação, experiência do Reino Unido e mudanças mundiais

Na parte da tarde, os alunos do Programa assistiram a três importantes sessões.

Para falar sobre a “A importância de desenvolver um quadro político, institucional e regulatório forte para o desenvolvimento de infraestrutura”, o evento trouxe Maria Salvetti, Diretora do Departamento de Água da Escola de Regulação de Florença (Itália). 

“A experiência do Reino Unido no desenvolvimento de infraestrutura: desde o planejamento até a entrega e gerenciamento de ativos” foi o tema do especialista Javier Encinas, Diretor de Projetos – Infrastructure and Projects Authority (IPA) – Governo Britânico. 

Encerrando o primeiro dia, Manuelito Magalhães, Presidente da Sanasa, falou sobre o “Mundo em Mudança – Reflexões para os Profissionais da Infraestrutura”.

O Programa segue até sexta-feira, 13 de maio.

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