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Seminário Internacional de Mudanças Climáticas: discutindo os efeitos sociais e econômicos, especialistas do painel 4 alertam sobre a urgência de agir

Com abordagens sobre os efeitos sociais e econômicos das mudanças climáticas, com destaques para critérios ESG, precificação do risco climático, e importância do engajamento e investimento no social, o quarto painel do evento mostrou que a mudança do clima é real no Brasil e quem não atuar para reduzir as emissões ficará para trás.

Por Equipe de Comunicação ABES

O painel 4, no segundo dia do Seminário Internacional de Mudanças Climáticas, realizado nesta terça, 7 de dezembro, discutiu os efeitos sociais e econômicos das mudanças climáticas, com moderação de Rafael Volquind, coordenador da Câmara Temática de Meio Ambiente da ABES.  

O evento online tem realização da ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – Diretoria Nacional e a ABES Seção São Paulo, por meio das Câmaras Temáticas de Meio Ambiente e de Gestão de Recursos Hídricos, e das Câmaras Técnicas da ABES-SP de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas e de Recursos Hídricos. A iniciativa, que é patrocinada pela Sabesp, destaca-se por ser um evento neutro em carbono. “As emissões, que são poucas por ser um evento online, são quantificadas, mas a ABES cuidou de agir e realizar a compensação ambiental, por meio do apoio a projetos ambientais”, informou Rafael.

O painel teve as participações de Marcos Thadeu Abicalil, da New Development Bank (NDB), Miguel Ivan Lacerda de Oliveira, diretor do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), e Marcella Ungaretti, da XP Investimentos.

Tratou dos efeitos sociais e econômicos das mudanças climáticas, principalmente nas cidades, periferias urbanas e também na agricultura. “Sabemos que as áreas rurais e as periferias urbanas em geral são bastante afetadas pelas transformações do clima, pelas estiagens ou inundações, exigindo estratégias diferenciadas para a produção econômica, a promoção social com acesso à infraestrutura, o saneamento e também à saúde”, destacou. 

Nesse contexto, Rafael explicou que o painel assume como objetivo principal caracterizar e qualificar os efeitos econômicos desses eventos extremos apontando para mecanismos e instrumentos para a viabilização de investimentos e soluções capazes de prevenir ou lidar com esses desafios, impactos e ameaças das mudanças do clima, sobretudo, sobre a segurança econômica e social das cidades.

Marcos Abicalil trouxe a questão dos “Efeitos Socioeconômicos das Mudanças do Clima”. O executivo destacou a importância de falar sobre o tema que é cada vez mais central na agenda do desenvolvimento nacional e global. Ele alerta que os impactos sociais e econômicos das mudanças climáticas ainda são muito negligenciados no grande debate que se faz sobre o assunto. “Na mitigação dos efeitos climáticos, há que se considerar as mudanças da matriz energética, o padrão de consumo e de comportamento objetivando a redução das emissões e efeitos paralelos alcançando pessoas em vários lugares. Temos que nos ater também ao fato de que existe outra agenda negligenciada que é de quem sofre com os efeitos climáticos”, frisou.

O executivo observou que existem dificuldades em entender o que isso tem a ver com o que vivemos hoje. “Muitas vezes não conseguimos enxergar o mundo em 2050. Se nós tratarmos o que já vem acontecendo dos impactos e da necessidade adaptação esse vamos nos adaptar ao mundo real, do dia a dia, com o qual nós todos convivemos e que cada vez com mais frequência vemos os efeitos das mudanças climáticas afetando nossas vidas e causando impactos econômicos e sociais nas mais diversas esferas da sociedade”, pontuou.

Com considerações sobre os eventos extremos que atingem o Brasil, Abicalil citou que nos últimos anos o Banco Mundial fez uma série de estudos sobre os desastres climáticos no país e identificou em uma década que o impacto econômico atinge a ordem de R$ 80 bilhões por ano. Isso está levando os brasileiros a uma mudança de percepção por conta da vulnerabilidade aos eventos extremos. “É preciso uma mudança de paradigma para sairmos da condição de reativos e passarmos a agir de forma proativa entendendo o que são os efeitos climáticos e seus impactos econômicos e sociais no nosso dia a dia”, destacou usando a situação da pandemia como maior exemplo para essa mudança.

Para finalizar sua apresentação, Abicalil frisou o papel dos bancos de fomento para ajudar no que é imediato, ou seja, na adaptação climática e na redução da vulnerabilidade com o aumento da resiliência e colaborando com os países no desenvolvimento e no financiamento de uma estratégia de adaptação climática e de aumento da resiliência. “No caso do Brasil, mais especificamente no setor de infraestrutura, o NDB visa melhorar a capacidade do país em dar respostas e olhar a longo prazo, mas, também reduzindo as emissões e trabalhando a agenda da transição climática no curto prazo, em função da necessidade de investimentos urgentes na melhoria da resiliência e da adaptação climática”, pontuou.

Em sua fala, Miguel Ivan Lacerda de Oliveira abordou o tema “Precificação dos Riscos Climáticos”, fazendo um questionamento: temos realmente um problema climático ou estamos imaginando? Ele confirmou a existência do problema com dados de regressão elencados entre 1961 e 2020, com os quais mostra que já estamos passando de um aquecimento médio acima do esperado e o quanto isso reflete nos riscos climáticos, como as nuvens de poeira e os desvios de chuva. “Já estamos falando de problemas climáticos que estão acontecendo agora e só temos duas opções: reduzir as emissões totais ou mitigar esse conjunto de efeitos”, atentou.

Para ele, temos que trabalhar a questão do mitigar e para isso precisamos organizar uma rede de sistemas que estão estruturados para melhorar a comunicação de meteorologia que hoje não está financeirizada. “Sós vamos resolver o problema de precificação se financeirizar o risco metereológico”, ressaltou.

Miguel destacou que isso envolve diversos fatores, pois a financeirização não acontece no Brasil. “Há falta de diálogo entre os atores, não há um sistema integrado de comunicação. O Inmet está trabalhando para fazer a melhoria do monitoramento e redesenhando o modelo para combater os riscos climáticos a partir dos dados que o Inmet produz”, contou.

Para o diretor do Inmet, a integração é o caminho para produzir a financeirização dos serviços meteorológicos no Brasil. Ele falou sobre o SIM INMET – Serviço de Informação Meteorológico, que funciona a partir da metodologia de seguro paramétrico, um seguro de índice, para a ocorrência de eventos naturais.

O especialista explicou a proposta de trabalho com base na agenda do risco climático e parcerias com bancos, seguradoras e a B3. “Quem mitigar o risco climático vai ter uma redução no custo de transação para fazer o seguro climático. É uma aposta que o Inmet e a rede meteorológica nacional estão montando para fazermos a financeirização do dado meteorológico, entre outros detalhes. Esse é o caminho que acreditamos que vai mitigar os efeitos no sentido de combater as mudanças climáticas”, concluiu.

“A Visão do Mercado Financeiro” foi o tema da palestra de Marcella Ungaretti, da XP Investimentos. A convidada focou sua apresentação nos Critérios ESG (gestão dos aspectos sociais, ambientais e de governança). Ela explicou o conceito geral e o que as companhias estão fazendo no sentido de abordar cada um dos pilares ESG no desenvolvimento dos seus negócios. “Chamamos a atenção para o pilar E (Enviromental) que considera a questão ambiental e, consequentemente, a preocupação com as mudanças climáticas”, disse.

Marcella também lembrou que as companhias, investidores e demais instituições têm focado cada vez mais nos critérios ESG o que tem proporcionado uma maior relevância sobre essas ações em prol dos fatores ambientais, sociais e da governança ao redor do mundo. “Os financiamentos ESG levam em consideração esses conceitos como parte do critério de análise na hora de investir em alguma iniciativa”, explicou.

Com base em diversos dados do mercado acerca das razões para atender os critérios ESG, Marcella contou como está essa adesão no Brasil, que ganhou mais relevância com a ocorrência da pandemia. “No mundo todo o tema já não é mais uma tendência e sim uma realidade e que tem muito dinheiro direcionado para as empresas que estão bem posicionadas na agenda ESG como parte das suas estratégias de negócios”, comentou.

Em termos de recursos, Marcella informou que o volume global atualmente já conta com mais de US$ 35 trilhões que estão sendo ingeridos por fundos que definiram estratégias sustentáveis e que consideram os ESG como parte dos processos de decisão nos financiamentos.

No encerramento, Rafael Volquind parabenizou os palestrantes, que conseguiram sintetizar os efeitos socioeconômicos atrelados aos riscos climáticos e as oportunidades e soluções para uma adaptação melhor e mais resiliente da sociedade.

O evento ficará disponível por três meses na plataforma para os inscritos. Para mais informações, clique aqui.

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