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Agenda internacional do Prêmio Jovem da Água de Estocolmo visita 3 países e reforça cooperação científica e diplomática entre Brasil e Europa

Comitiva Brasileira na Cerimônia Oficial de Premiação do Stockholm Junior Water Prize

Na Semana Mundial da Água, realizada em Estocolmo, aconteceu a Cerimônia Oficial do Prêmio Jovem da Água de Estocolmo 2026. No Stockholms Stadshus, prefeitura de Estocolmo, delegações internacionais e jovens cientistas de mais de 40 nações reuniram-se para a etapa final do prêmio.

A solenidade coroou uma intensa programação de benchmarking da comitiva brasileira na Europa, articulada pelo programa Jovens Profissionais do Saneamento da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (JPS / ABES) e pela Câmara de Comércio Brasil-Suécia (Brazilcham Sweden). A missão contou com a participação de executivos e técnicos da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (CEDAE), lideranças jovens e os voluntários brasileiros da premiação.

O encontro coincidiu com o marco histórico dos 200 anos de relações diplomáticas entre o Brasil e a Suécia, celebrados em 2026. Além da cerimônia oficial, o espaço cultural Biblioteket Live, em Estocolmo, sediou a celebração solene dos 10 anos de colaboração do Brasil no Stockholm Junior Water Prize, reforçando duas décadas de aliança estratégica no desenvolvimento de tecnologias para o meio ambiente, inovação e capacitação da juventude.

A agenda do IV Benchmarking Internacional percorreu três países europeus, combinando encontros institucionais, visitas operacionais a infraestruturas de grande porte e diálogos de inovação aberta. A programação teve início no Reino Unido, onde a comitiva esteve na sede da WaterAid UK, em Londres, com a liderança do Programa Global de Juventude para debater salvaguardas institucionais, governança de redes e estratégias de advocacy para a inserção do saneamento e do clima na Blue Zone das Conferências da ONU (COPs).

Em seguida, no Xylem Innovation Labs, em Cambridge, os delegados conheceram o ecossistema de aceleração de startups e visitaram uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) operada com sistemas biológicos SBR/ICEAS, eficiência energética de aeração e monitoramento óptico em tempo real por inteligência artificial para controle do lodo. A passagem por Londres incluiu ainda uma reunião na sede global da International Water Association (IWA), onde foram discutidas bolsas internacionais para jovens profissionais, como a Grundfos Fellowship, e confirmada a realização histórica do World Water Congress & Exhibition 2030 em São Paulo, no Brasil.

Na Suécia, a delegação foi recebida na Prefeitura de Estocolmo pela 2ª Vice-Presidente do Conselho Municipal, Sara Stenudd, oportunidade em que conheceu o modelo orçamentário municipal e as estratégias de prevenção contra a intrusão salina no Lago Mälaren causada pela elevação do Mar Báltico.

No KTH Royal Institute of Technology, especificamente no Departamento de Engenharia Ambiental (KTH-SEED), a comitiva acompanhou avanços em pesquisas de contaminantes emergentes (arsênio, PFAS e microplásticos), recuperação de bioprodutos em efluentes (hidrogênio e nutrientes) e eletrodos condutores de carbono para tratamento de águas ácidas. A agenda sueca contemplou também uma imersão na ETA de Norsborg (Stockholm Vatten och Avfall), a maior estação de tratamento de água potável da região de Estocolmo, avaliando o processo de transição para tecnologias de barreiras múltiplas (membranas e radiação UV) e rotas de desidratação e valorização do lodo.

Depois, a comitiva seguiu para a Finlândia. Em Helsinque, o encontro com o Finnish Water Forum promoveu um diálogo focado no modelo de inovação da tríplice hélice (governo, academia e empresa), com ênfase em telemetria avançada, sensoriamento contínuo em redes adutoras e gestão de lodos. A delegação realizou também uma visita técnica à ETE Viikinmäki (HSY), a maior estação de tratamento de esgoto dos países nórdicos, construída inteiramente no interior de cavernas subterrâneas escavadas em rocha. A infraestrutura finlandesa destaca-se por atingir autossuficiência energética por meio de cogeração a biogás e bombas de calor, além de utilizar pós-filtração desnitrificante para a proteção dos ecossistemas do Mar Báltico.

A delegação brasileira levou à Europa o projeto que conquistou o júri nacional. O grande vencedor da etapa brasileira do Stockholm Junior Water Prize 2026 foi o estudante cearense Raul Victor Magalhães Souza, sob a orientação do professor Helyson Lucas Bezerra Braz. Raul desenvolveu uma ferramenta híbrida de aprendizado de máquina (machine learning) destinada a prever variações pluviométricas no Vale do Jaguaribe, no Ceará. O grande diferencial da pesquisa foi a integração harmônica entre 44 anos de séries meteorológicas (1981–2024) e os saberes tradicionais dos “profetas da chuva” — observadores populares dos sinais da natureza no semiárido. Na validação experimental durante a estação chuvosa de 2025, o modelo do jovem cientista registrou um erro médio mensal de apenas 5,7% (contra 30,8% de sistemas comerciais de referência) e alcançou 94,5% de acurácia de classificação.

A cerimônia da etapa nacional foi realizada na Escola de Guerra Naval, no Rio de Janeiro, evidenciando o empenho conjunto de instituições como a ABES, o programa JPS, o Banco do Brasil, a CEDAE e a Scania na promoção da ciência jovem e da inovação inclusiva no Brasil.

Ao conectar a riqueza das observações comunitárias do semiárido brasileiro às infraestruturas tecnológicas do continente europeu, o IV Benchmarking Internacional demonstrou que o investimento na juventude técnica é o caminho para construir soluções sustentáveis, resilientes e globais para o ciclo da água.