Iniciativa da Câmara Temática de Mudanças Climáticas e Gestão de Carbono no Saneamento disponibiliza publicações técnicas nacionais e internacionais para subsidiar análises sobre as possíveis repercussões do fenômeno nas diferentes regiões do Brasil.
Diante das perspectivas de evolução do fenômeno El Niño e de seus possíveis impactos sobre o território brasileiro nos próximos meses, a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), por meio de sua Câmara Temática Nacional de Mudanças Climáticas e Gestão de Carbono no Saneamento, reuniu um conjunto de referências, publicações institucionais e ferramentas de consulta para apoiar profissionais, empresas e instituições do setor na compreensão e avaliação dos riscos climáticos.
A iniciativa reforça o papel da ABES como entidade técnico-científica comprometida com a produção e disseminação de conhecimento, o intercâmbio de experiências e o fortalecimento da capacidade do setor de saneamento para enfrentar desafios ambientais e climáticos. Em um contexto de crescente exposição a eventos extremos, ampliar o acesso a informações confiáveis é fundamental para qualificar o planejamento, a gestão de riscos e a tomada de decisões.
O que é o El Niño e por que merece atenção?
O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, acompanhado de alterações na circulação atmosférica. Integra o fenômeno conhecido como El Niño–Oscilação Sul (ENOS), que também compreende a fase fria, denominada La Niña, e condições neutras.
Embora tenha origem no Pacífico, o El Niño influencia padrões de circulação atmosférica e pode modificar os regimes de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.
No Brasil, seus efeitos não são uniformes. Historicamente, o fenômeno está associado a uma maior probabilidade de chuvas acima da média em áreas da Região Sul e de redução das precipitações em partes das regiões Norte e Nordeste. Entretanto, a intensidade, a distribuição espacial e a duração desses efeitos variam entre os episódios, sendo influenciadas também por outros fatores climáticos.
O acompanhamento do fenômeno ganha especial relevância no contexto das mudanças climáticas. O aumento das temperaturas globais, as alterações no ciclo hidrológico e a intensificação de determinados eventos extremos podem ampliar riscos já existentes. É importante, contudo, distinguir os efeitos da variabilidade climática natural daqueles associados às mudanças climáticas de longo prazo, considerando as evidências disponíveis para cada situação.
Por que acompanhar as informações climáticas?
O acompanhamento das condições meteorológicas e hidrológicas, associado ao conhecimento das características e vulnerabilidades locais, contribui para compreender cenários, identificar fatores de risco e subsidiar decisões de planejamento e gestão.
No saneamento, essa atenção é especialmente relevante pela relação direta dos serviços com a disponibilidade de recursos hídricos e as condições ambientais. Variações nos regimes de chuva, nas temperaturas e nas vazões dos rios podem repercutir sobre a disponibilidade e a qualidade da água, as condições de operação dos sistemas e a infraestrutura de abastecimento de água e esgotamento sanitário, de maneiras distintas conforme a região e as características de cada sistema.
No caso do El Niño, a atualização periódica das previsões é particularmente importante porque sua evolução, intensidade e efeitos regionais podem se modificar ao longo do tempo. Além disso, os efeitos de um mesmo fenômeno climático podem variar significativamente entre territórios, tornando importante considerar as particularidades regionais e locais.
Os boletins produzidos por instituições brasileiras, como INMET, INPE, ANA e Cemaden, assim como as informações disponibilizadas pela Organização Meteorológica Mundial, entre outras organizações, oferecem subsídios relevantes para esse acompanhamento.
A avaliação do contexto e dos riscos climáticos, entretanto, exige mais do que conhecer as previsões de chuva e temperatura. Envolve compreender a exposição dos sistemas, suas características e vulnerabilidades, bem como os possíveis efeitos sobre a prestação dos serviços, sempre considerando as condições específicas de cada território.
ABES disponibiliza repositório de referências
Com o propósito de facilitar o acesso a informações qualificadas, a Câmara Temática Nacional de Mudanças Climáticas e Gestão de Carbono no Saneamento organizou um repositório de consulta com documentos de instituições brasileiras e internacionais reconhecidas.
O material reúne boletins de monitoramento e previsão do ENOS, estudos sobre mudanças climáticas e eventos extremos, informações hidrológicas, análises de riscos hídricos e ferramentas que permitem explorar dados em diferentes escalas territoriais.
A proposta é disponibilizar fontes de conhecimento que possam apoiar avaliações ajustadas às realidades regionais e locais, respeitando as particularidades de cada sistema e território.
O repositório constitui também um instrumento de disseminação de conhecimento e atualização contínua, aberto à consulta de profissionais do saneamento, gestores públicos, reguladores, pesquisadores e demais interessados.
A ABES convida o setor a conhecer e utilizar as referências reunidas, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre o tema e fortalecer a capacidade de planejamento e adaptação do saneamento brasileiro.
Acesse o repositório: [inserir link de acesso] (*)
(*)
- BOLETINS E PLANO:
- OMM — El Niño/La Niña Update, August 2026
Organização Meteorológica Mundial | 03/09/2026
Boletim elaborado em colaboração com o International Research Institute for Climate and Society (IRI), com análises das condições oceânicas e atmosféricas e previsões probabilísticas do ENOS.
https://library.wmo.int/records/item/69926-august-2026
- NOAA — ENSO Diagnostic Discussion, October 2026
Climate Prediction Center/NCEP/NWS | 08/10/2026
Boletim técnico mensal com diagnóstico do estado atual do ENOS, índices oceânicos, anomalias de temperatura e probabilidades de evolução até 2027.
https://www.cpc.ncep.noaa.gov/products/analysis_monitoring/enso_advisory/ensodisc.shtml
- The European Centre for Medium-Range Weather Forecasts (ECMWF)
https://www.ecmwf.int/en/about/media-centre/science-blog/2026/measuring-strength-el-nino
- Columbia Climate School – International Research Institute for Climate and Society
https://iri.columbia.edu/our-expertise/climate/forecasts/enso/current/
- Instituto Nacional de Meteorologia – Boletins El Nino:
https://portal.inmet.gov.br/notasTecnicas#
- Plano De Preparação Para O Enfrentamento Dos Impactos Do El Niño 2026/2027 Sobre Os Recursos Hídricos Do Brasil
- ARTIGOS TÉCNICOS:
- NPJ – Climate and Atmospheric Science
Enhancing the predictability limits of ENSO with physics-guided deep echo state networks
https://www.nature.com/articles/s41612-026-01360-5
- Science – Resumo e artigo completo.
Recent strengthening of eastern Pacific ENSO in the last millennium paleorecord
https://www.science.org/doi/10.1126/science.ady2660
- ARTIGOS DE OPINIÃO:
- World Resources Institute – WRI
How Might a ‘Super El Niño’ Affect Food, Forests and Water?
https://www.wri.org/insights/super-el-nino-impacts-explained
- World Economic Forum
The coming El Niño is more than a climate event. It is a systemic shock
- REUNIÕES TÉCNICAS ABERTAS CEMADEN:
Avaliação e Previsão de Impactos:
Outubro: https://www.youtube.com/live/8TFQA9X6YKs
Setembro: https://www.youtube.com/live/DjDHW4o3WwQ?si=6icjLOTo5jM_P0LF
Agosto: https://www.youtube.com/live/MbYh0sdmdJE?si=NuYI_pVnz2KF2vL-
Julho: https://www.youtube.com/live/GyC0Rkj9Zis?si=mle4wrxnbKwAd-Nq