Rio Water Week: sessões especiais sobre saneamento são destaques no último dia do evento

Três sessões especiais acerca do tema saneamento abriram no terceiro e último dia da Rio Water Week, que aconteceu no Riocentro, Rio de Janeiro, de 26 a 28 de novembro, concretizando-se mais um importante capítulo da ABES na história do setor. Com auditórios lotados (o público total da RWW foi de mais de 2.300 participantes), os eventos abordaram a MP do Saneamento, questões de inovação e contratos de performance.

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Integraram a Sessão “Contratação por Resultado – Exemplos Práticos e Desafios para o Futuro” Paulo Massato, diretor Metropolitano da Sabesp, Waldecir Colombini, diretor da Enorsul, Paulo Caldeira, representando o presidente da Caesb, Mauricio Leite Ludovice. A mesa foi moderada por Alexandre Gomes de Souza da Saneago, que representou o presidente da empresa, Jalles Fontoura de Siqueira.

Segundo Massato, o contrato de performance é a modelagem que a nova Lei 3.303 passa exigir daqui para a frente. “Todos nós que trabalhamos em estatais de companhias de saneamento temos que usar o nosso conhecimento, ter o processo evolutivo e mudar a forma de pensar para comprar resultado e não contratar obras”, explicou.

“Foi uma oportunidade ímpar discutir isso com a CAESB e ao mesmo tempo ter um fornecedor, uma empresa que atua nessa área de performance – a Enorsul -, mostrando que é uma solução que pode e deve evoluir, mas que vai trazer bons resultados para o setor de saneamento e, portanto, para população brasileira”, frisou. O especialista aproveitou para parabenizar a ABES, através do presidente Roberval Tavares de Souza, por organizar “maravilhosamente esse evento da Rio Water Week”.

Waldecir Colombini reforçou que contrato de performance busca resultado para os dois lados. “Seleciona-se a empresa para contratar o melhor serviço dentro do menor custo e não contrata a empresa pelo menor custo de serviço. É diferente”, explicou. “Isso é comprar resultados. É o que nós da Enorsul queremos, temos uma equipe técnica para isso.  O principal aqui é discutir metodologia de contratação que não seja com o menor preço”, resumiu.

Já Paulo Caldeira ressaltou que toda companhia tem um problema crucial, que é a sua força de trabalho. O custo da mão de obra é grande. Desenvolver trabalhos aumentando o número de empregados, aumenta o custo de mão de obra e impossibilita dispensar recursos para outras atividades. “A performance tem um preço esperado para a execução do serviço e tem o ganho da contratada em cima da eficiência dela. Não só com o custo, mas pela inteligência em pagar. A parte de engenharia se trabalha muito mais. A empresa que contrata tem condição de fazer isso, mas é reduzido para poder atuar em todas as áreas. O contrato de performance permite contratar empresa que vai atuar especificamente em um projeto. Todos os esforços são canalizados”, explicou.

Sobre o evento destacou que todos os congressos são vitrines para verificar as melhores práticas do setor. “A Caesb já percebeu que os eventos trazem ideias que são muito importantes, que podem ser adaptados à realidade de cada um”, concluiu.

Inovação no Setor de Saneamento

Integraram o painel André Lemontov, diretor da Águas do Brasil, Ricardo Onishi, gerente comercial da Vortex, Eduardo Henrique de Azevedo, da Assessoria da presidente da Sabesp. A moderação foi de Pierre Siqueira, da Câmara Temática de Comunicação da ABES.

Os palestrantes comentaram sobre a discussão.

“Na minha apresentação, tentei tirar o público da zona de conforto porque inovar ficando parado no escritório achando que as coisas vão vir de fora e que se está inovando não acontece”, enfatizou André Lermontov. Inovar é sair da zona de conforto e encontrar soluções em situações inéditas para o setor. E o ápice da inovação é pensar fora da caixa”, destacou.

“O evento foi excelente e muito bem organizado e estruturado. Os palestrantes são de primeira linha. É muito interessante trazer especialistas e cases de fora do Brasil para nos servir de exemplo”, concluiu.

Eduardo Henrique de Azevedo agradeceu pelo convite! E reforçou que é muito importante discutir sobre inovação. “Para melhorar os índices de saneamento, não podemos fazer as mesmas coisas. Tem que pensar à frente, trazer pessoas para pensar, não é uma pessoa central que irá resolver os problemas. A colaboração é importante para trazer ideias de dentro e fora do setor e a população tem que pensar em saneamento também. Temos diferentes formas aqui, todas as pessoas devem ser ouvidas e contribuir”, afirmou.

 

 

 

 

 

“O evento é importante para divulgar os cases que estão dando certo e gerar engajamento das pessoas. A feira e os resultados mostram que estamos encaminhando no sentido bom. Agora, é todo mundo produzir para ter bons resultados”.

Ricardo Orsini lembrou que a Vortex foi ao evento com a missão de fomentar a inovação patrocinando a área da Startup ABES 2.0. “Buscamos incentivar o raciocínio criativo, inovador para potencializar a tecnologia nacional. É o segundo ano que participo do evento [a ABES realizou a Startup também no Congresso ABES/Fenasan 2017], tem crescido muito e ganhado relevância pela temática de água e de esgoto. São temas de extrema relevância para o ser humano, não só para o evento em si. Tem uma função social muito grande”, fisou Orsini. “Finalizei a apresentação falando sobre tecnologia que vai melhorar a vida das pessoas. É a visão e o sentimento que carrego dentro do evento, pensamos em como melhorar de gente pelo mundo”.

Entidades de Saneamento

Esta Sessão contou com apresentações do presidente nacional da ABES, Roberval Tavares de Souza, Gustavo Cardoso, diretor da ABAR, Karla Bertocco (presidente da Sabesp) na ocasião, como vice-presidente da AESBE, e Carlos Eduardo Castro, da Águas do Brasil. Foi moderada pelo diretor nacional da ABES, Alceu Guérios Bittencourt.

Roberval ressaltou a necessidade de debater o futuro do saneamento, após o ano turbulento que o setor sofreu com a MP 844, que propunha a revisão do Marco Legal do Saneamento, que foi contestada pelas maiores entidades do país: ABES, AESBE, ABAR e Assemae, entre outras. “O grande problema do texto foi a falta de habilidade do governo federal em conseguir conversar com todos os atores do setor de saneamento”, ressaltou o presidente da ABES.

Karla Bertocco tocou em um dos pontos que a MP propunha, que era a atuação da ANA – Agência Nacional de Águas como reguladora.  “Pode ser interessante ter um viés nacional, embora eu ache que tenha que ser facultativo, ou seja, onde não houver regulação, a ANA entra. Onde já houver instituído, pode causar uma insegurança jurídica brutal. Se eu já tenho serviços contratados há algum tempo, haverá uma nova norma da ANA, a gente cria um ambiente de insegurança. a ANA poderia contribuir enormemente reunindo todas as informações, um padrão de eficiência, com as decisões regulatórias de todos os reguladores, tentando ajudar os setor para empurrarmos os prestadores cada vez mais a subir um degrau na escala da eficiência.”

Carlos Eduardo Castro, da Águas do Brasil, trouxe uma questão positiva neste cenário: “A MP colocou o setor do saneamento em evidência. Nunca estivemos tanto no centro das discussões.”

Veja outras opiniões de especialistas no último dia da Rio Water Week

 “O painel é muito importante porque a principal temática da Rio Water Week. Relaciona o atendimento do ODS6 com a regulação. Trouxemos experiências nacionais e internacionais de como a regulação pode auxiliar o atendimento do ODS6 considerando os desafios e as perspectivas para os próximos anos. Iniciamos com a experiência de Portugal com o Jaime Batista, com Carolina Latorre da IWA, que trouxe a lógica mundial do que vem sendo tratado de ODS com os reguladores. Apresentamos o case do Oscar Pintos, da Aderasa, sobre o ODS que está sendo trabalhado na América Latina, trazendo contexto histórico e geográfico do problema de uso e ocupação do solo. Hugo de Oliveira relacionou como está a lógica do ODS e da regulação em nosso país. E no final, apresentamos dois casos práticos com o Samuel Barbi, da ARSAE-MG, com a experiência da regulação subnacional, e Alexandre Lima, da ANA, com a experiência da regulação nacional. Com o painel, podemos considerar que os desafios são grandes para atingir a universalização da água e do esgotamento até 2030. Porém muito já foi feito, que os trabalhos estão efetivamente sendo desenvolvidos. E que precisamos, como  disseram os nossos palestrantes, nos atentar ao financiamento para essa universalização e que possamos enquanto regulador acompanhar o processo e fazer com que todos os interessando cooperem em prol do atendimento do ODS6.” Vanessa Schmitt, da AGIR/ABAR, moderadora na Sessão REGULAÇÃO E SUA CONTRIBUIÇÃO AO ODS6.

 “O evento tem sido um sucesso e vai ficar na agenda das ações de eventos de água e saneamento regional. Como assessor regional da Organização Pan-americana, dentro da região ter eventos, como este, que são modernos e permitem a participação dos jovens e o setor é muito positivo. Certamente o modelo dessa primeira edição da Rio Water Week será mantido. A sessão foi importante porque foi sobre o fortalecimento das capacidades. As instituições que tiveram aqui contribuem para o fortalecimento de capacidade a nível do país. A Organização Pan-americana trabalha com 35 países buscando fortalecer a capacidade em função das características destes. Os estudos servem para identificar oportunidades/ necessidades e como esses países podem melhorar e cumprir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e os indicadores de água e de saneamento.  Falamos sobre o plano de segurança da água e do saneamento. Essas duas ferramentas são importantes para o cumprimento da meta e o indicador que tem como descrição alcançar sistema de água e de saneamento gerenciados de forma segura. Para alcançar esse serviço gerencial de forma segura temos que aplicar plano de segurança da água que é uma metodologia da gestão de risco”, Teófilo Monteiro, da PAHO, palestrante na Sessão CAPACITAÇÃO COMO ESTRATÉGIA PARA ALCANÇAR O ODS 6: FORTALECIMENTO DOS GESTORES.

“Os aspectos que foram trazidos aqui sobre a capacitação, especialmente voltados para tomadores de decisão, mostram que sem que haja um novo enfoque da capacitação não só da maneira, mas do público a ser atendido e também a temática a ser considerada, precisam de uma avaliação mais ampla. Não só identificando onde estão as brechas, mas também buscando trabalhar capacidade e mobilizar os profissionais e a área em função das metas que precisam ser atingidas. A sessão conseguiu trazer essa experiência bastante diferenciada de como o Peru [com Cesarina Quintana – COSUDE Peru] conseguiu mudar o cenário de um país com foco em mobilização e capacitação, nos diversos níveis de governo e também para as comunidades rurais. Cláudio Ternieden (WEF USA) trouxe outra abordagem sobre a necessidade de ser efetivo, operacional e com bons resultados, inclusive de business no tema, e Teófilo Monteiro (PAHO) atuando no Peru apresentou as carências de países onde não tem pessoas qualificadas para trabalhar no plano de segurança da água e países onde faltam os profissionais. Isso acaba sendo um grande empecilho para que consigamos alcançar as metas dos ODS. Esse conjunto de experiências traz uma necessidade de trabalhar com uma temática mais ampla e transversal para que possamos resolver as dificuldades e brechas que precisam ser vencidas no atendimento ao ODS 6.” Anna Virgínia Machado, UFF, moderadora na Sessão CAPACITAÇÃO COMO ESTRATÉGIA PARA ALCANÇAR O ODS 6: FORTALECENDO OS GESTORES.

“O evento é muito positivo para manter e desenvolver conexões com parceiros. Temos dois principais que é a BRK e o Grupo Europa. O evento tem a presença de muitos jovens. A Rio Water Week é relevante para esse público jovem que é o nosso público alvo. É uma oportunidade para disseminação do projeto, alcançar novos públicos e fortalecer relações. fOI ótimo, participei de várias sessões e fiz novos contatos. Tive feedback positivo da apresentação. O espaço da feira é grande, cada estande tem o seu espaço. Vi o Espaço Startup e as apresentações. Acredito que a presença internacional vai aumentar o impacto. Vi apresentação de Moçambique e outros países da América Latina. Nas edições futuras poderia ter mais representatividade das lideranças comunitárias olhando a água e o acesso ao saneamento. Mostrar as experiências das pessoas desses grupos. É importante ter a voz deles, além dos poderes públicos, setor privado, instituições, ONGs que estão trabalhando com a comunidade em si.” Dawn Fleming, da Water Innov Lab, do Canadá, palestrante na Sessão na Sessão EMPODERAMENTO DA SOCIEDADE PARA OS NOVOS DESAFIOS DA ÁGUA.

“Sinto-me sinto muito grata por ter sido convidada, dando-nos a oportunidade de mostrar o que estamos fazendo no Chile e conhecer as realidades de outros países e necessariamente do Brasil. Esperamos seguir a diante e que ocorram várias edições da Rio Water Week.” Maria Luisa Baltra, da Universidade FINIS TERRAE do Chile, palestrante na Sessão EMPODERAMENTO DA SOCIEDADE PARA OS NOVOS DESAFIOS DA ÁGUA.

“Conversamos sobre saneamento. Há diversas perspectivas, pois é um tema complexo. O evento traz diferentes visões para tentar avançar a agenda do saneamento. É urgente fazer alguma coisa, mas estamos escutando as palestras para sairmos com uma solução mais robusta e tem sido muito válido. O evento facilita a troca, questionamentos e a discussão construtiva.” Hector Gomes palestrante na Sessão METODOLOGIA DE FINANCIAMENTO PARA O DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS DE ÁGUA.

“O evento é muito importante. São momentos como esse que temos oportunidade de fazer interação entre tantos atores. São experiências e países diferentes, é uma oportunidade sensacional sempre que tiver no Brasil. O painel foi ótimo é uma oportunidade para o Ministério das Cidades e a Secretaria Nacional de Saneamento apresentar aquilo que tem sido feito. O país é muito grande e nem todos têm a plena compreensão do que está acontecendo. É um momento de transição e essas mudanças dos processos que estamos introduzindo é para descentralizar as decisões e permitir que os profissionais do setor com as informações, planejamento, necessidade que têm poder cadastrar uma solicitação de crédito para o Ministério das Cidades, com a fonte do FGTS. O Ministério não vai resolver sozinho o problema, mas não pode atrapalhar. Estamos na busca da simplificação do processo para melhorar as condições e deixar os protagonistas de uma operação de crédito que é o setor público e os bancos possam atuar livremente com a garantia das regras por sermos o gestor da aplicação do FGTS.” Denise Saebra, do Ministério das Cidades palestrante na Sessão METODOLOGIA DE FINANCIAMENTO PARA O DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS DE ÁGUA.

 “O Brasil é palco hoje de um evento extremamente importante. A organização da ABES foi perfeita isso faz parte de um compromisso global da ONU, da União Europeia e outras instituições. O evento traz visibilidade não só para o setor, mas também para os empresários que é importante. É fundamental resolver a crise de saneamento. O que vivenciamos nesses últimos três dias, na Rio Water Week, irá ajudar para conquistar isso”, André Tchernobilsky, da Zeg Environmental, palestrante na Sessão GESTÃO INTEGRADA DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS.

“Foi um prazer coordenar esse painel da Rio Water Week, da ABES. É importante ter esse espaço para falar de gestão integrada de resíduos sólidos dentro do saneamento é um tema que é visto como menor. Foi uma satisfação ter a sala cheia e interessada no tema, o envolvimento dos palestrantes foi uma complementação de visão com divisões sobre o tema. O desafio é grande, mas tem gente engajada e com muitas soluções para serem implementadas na gestão de resíduos sólidos no Brasil. O evento foi muito bem organizado, teve palestras com um nível alto de conteúdo e um público muito qualificado. O BNDS patrocinou o evento e não é a primeira vez que patrocinamos um evento da Abes. Fazemos isso com muita segurança porque comprovamos muita qualidade no evento e nas discussões. O saneamento é prioridade para o BNDS.” Luciana Capanema, do BNDES, moderadora da Sessão GESTÃO INTEGRADA DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS.

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